É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 29/06/2019

Em " Busca Implacável", a personagem Kim foi raptada para ser vendida como escrava sexual, por conseguinte, o protagonista Bryan Mills atua incessantemente em busca de sua filha. Embora seja uma obra ficcional, o filme possui características que se assemelham no contexto atual brasileiro, tendo em vista que o tráfico de pessoas cresce em progressão geométrica. Indubitavelmente, isso é resultado do descaso governamental na contenção do problema e se agrava com o advento das redes sociais. Destarte, faz-se pertinente debater acerca do combate dessa problemática.

A priori, é imperioso destacar que o tráfico humano é considerado o terceiro crime mais rentável, perdendo apenas para o comércio de drogas e armas, como afirma o secretário das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Rafael Franzin. Desse modo, mesmo sendo um crime em grande evidência é notório um descaso do governo no controle da mazela, visto que as fiscalizações nos portos, aeroportos e fronteiras não são suficientes tampouco eficientes para combater as quadrilhas do mercado negro.

Outrossim, vale ressaltar a concepção de Michel Foucault, a qual evidencia que o poder é a base inevitável de todas as relações humanas. De forma análoga, pode-se afirmar que as redes sociais apresentam-se como um instrumento de poder para os criminosos, tendo em vista sua facilidade de permitir o acesso à determinadas pessoas. Sob essa ótica, nota-se que os alvos são principalmente pessoas com baixo nível de escolaridade ou que estão em situação de extrema pobreza, isso se deve ao fato de aceitarem facilmente propostas de emprego e se exporem demasiadamente nas redes, por exemplo. Verifica-se, portanto, que devido a ausência de discernimento por qual situação estão sendo submetidas, as vitimas se tornam submissas ao criminoso, dessa forma, fica claro a relevância dos cuidados nos meios virtuais.

Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Governo Federal de cada país promover melhorias no setor de imigração, ao contratar profissionais que ensinem os métodos ideais para identificar uma suposta vítima  e como intervir para que essa seja reconhecida no início do processo de tráfico. Além disso, é de suma importância que o poder midiático mostre de maneira fidedigna por meio de comerciais, séries e telejornais, a realidade do lado obscuro da internet, a fim de alertar as pessoas sobre as terríveis consequências de depositar excesso de informações e de confiança em desconhecidos nas redes. Espera-se com isso que a distopia de Kim se restrinja a ficção.

Segundo estudos feitos pela OMT (Organização Mundial do Trabalho) o tráfico humano movimenta cerca de 32 bilhões de dólares por ano, em que 79% das vítimas são destinadas à prostituição, em seguida ao comércio de órgãos e à exploração de trabalho escravo em latifúndios, na pecuária, oficinas de costura e na construção civil. Um total de 63,2 mil vítimas de tráfico de pessoas foram detectadas em 106 países e territórios entre 2012 e 2014, de acordo com o relatório publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). As mulheres têm sido a maior parte das vítimas — frequentemente destinadas à exploração sexual e o percentual de homens traficados para trabalho forçado aumentou. As crianças permanecem como o segundo grupo mais afetado pelo crime depois das mulheres, representando de 25% a 30% do total no período analisado.