É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 26/08/2019
As novas mercadorias: seres humanos
Desde a década de 1980, intensificou-se, na Europa e na América o tráfico de cocaína. Diante desse cenário, o lucro obtido pelo contrabando da droga passou a ser utilizado para financiar máfias e boates ilícitas nos países desenvolvidos. Isso, por consequência, levou à demanda de mão de obra, que passou a ser proveniente de países subdesenvolvidos, sobretudo do Brasil,sob a proposta de trabalho lícito, enquanto, na realidade, seria explorada sexualmente ou morta para a venda de órgãos.Entretanto, no país, a situação permanece. É necessário, portanto, o debate entre Estado e sociedade,a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sobre esse viés, consolida-se o pensamento de Zigmunt Bauman no que cerne a invisibilidade ser equivalente à morte, visto que a miséria de parte da população brasileira, estimulada pela indiferença governamental frente às questões sociais, ocasiona a falta de perspectiva de vida. Assim, os traficantes de pessoas, ao entrarem no Brasil, procuram pessoas com baixa renda e escolaridade, fazem propostas de empregos enganosos, como aconteceu com a personagem “Nanda” na novela “Salve Jorge”,que foi enviada à Turquia com a oferta de modelar, enquanto, na verdade, foi escravizada sexualmente.
Convém ressaltar, também, a ideia de Kant no que cerne ao indivíduo ser aquilo que a educação faz dele, baseado na conjuntura de que os recursos destinados à educação são mal distribuídos, e a Constituição Federal é escrita em uma linguagem inacessível para boa parte dessa população. Por conseguinte, o desconhecimento dos direitos humanos desestimula o senso crítico das pessoas com baixo acesso aos estudos frente aos mafiosos, que obtêm sucesso e progressão na venda de órgãos e seres humanos.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos seus problemas.Cabe, portanto, ao Ministério da Educação a realização de campanhas de conscientização, por meio da internet, sobre o contrabando de pessoas, com o objetivo de conscientizar a população a ajudar na denúncia de situações como essa; e ao Ministério da Justiça a abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que reformule a linguagem constitucional a fim de que todos possam, com facilidade, reconhecerem seus direitos enquanto humanos e dificultarem a ação de manipulação sistemática dos contrabandistas. Assim, o Brasil se tornará um país íntegro e coeso.