É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 20/09/2019

Durante a colonização do Brasil, entre os séculos XV e XIX, o tráfico negreiro representou uma importante atividade lucrativa para os senhores de engenho, tendo em vista a vasta mão de obra escrava na produção açucareira. Não distante desse contexto, hodiernamente, o tráfico humano ainda mostra-se como uma problemática persistente na sociedade brasileira, em que pessoas são persuadidas com propostas de empregos e sequestradas para o exterior, onde são submetidas à exploração laboral ou sexual. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse revés social.

A priori, vale ressaltar o pensamento crítico do sociólogo Karl Marx, no qual ele declara que a sociedade capitalista é extremamente direcionada à obtenção de lucros. Tal conjuntura pode ser evidenciada na atividade ilegal do tráfico, considerando que as vítimas são reconhecidas como mercadorias para fins comerciais. Dentro desse problema, geralmente, as mulheres são convencidas que irão se tornar modelos mundialmente conhecidas e os homens jogadores de futebol em times renomados. Contudo, a realidade é bem diferente e esses, quando não são obrigados a viver na prostituição, são sujeitos a serviços exaustivos.

Outrossim, consoante ao filósofo iluminista Rosseau, a liberdade é o valor supremo responsável por definir o homem como cidadão. Seguindo tal premissa, vê-se que as pessoas traficadas são privadas da cidadania e autonomia sobre suas vidas, em decorrência do controle e subordinação aos traficantes. Isso se confirma com um relatório realizado pelo Ministério do Trabalho Brasileiro, o qual atesta que as vítimas são submetidas à práticas análogas a escravidão, devido a supressão de seus documentos e contração de altas dívidas com seus aliciadores. Sendo assim, em razão da vulnerabilidade e sem alternativas, continuam presos nesse esquema desumano.

Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir esse cenário preocupante. Assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, promover políticas que assegurem a proteção dos cidadãos, por meio da criação de organizações de segurança com a provisão de profissionais capacitados, a fim de que estes, fiscalizem e impeçam qualquer atividade suspeita envolvendo o tráfico humano. Junto a isso, a mídia, com seu alcance nacional, deve produzir e disseminar conteúdos que alertem a sociedade, com o intuito de evitar que a população caia nessa armadilha. Só então, será factível combater essa ilegalidade, responsável por denegrir os direitos humanos.