É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 04/08/2020

A Lei Eusébio de Queiroz determinou o fim do tráfico negreiro, em 1850, documento  sancionado pela pressão da Inglaterra em abolir a escravidão nos países e inserir os escravos no âmbito industrial. Contudo, mesmo após a aprovação de várias leis, o tráfico humano continua presente e aumenta exponencialmente, seja pela vulnerabilidade das vítimas, ou pela ausência de um monitoramento qualificado nas fronteiras. Por tais razões, subterfúgios devem ser postas em prática para transpor essa triste realidade.

Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que os criminosos se utilizam das plataformas digitais para atrair pessoas economicamente vulneráveis, oferecendo-as melhores condições de vida e emprego. Nessa égide, vários indivíduos que necessitam de uma renda mensal para o sustento de suas famílias são atraídos pelas falsas promessas de sucesso profissional. Todavia, tais cidadãos são submetidos ao tráfico, sendo  obrigados a prestar serviços para seus proprietários de maneira escrava, seja com fins sexuais, ou uso da força física. Parafraseando Castro Alves, a liberdade é para o homem o que o céu é para um condor. Entretanto, percebe-se que nem todos o seres humanos conseguem usufruir dessa liberdade, tendo seus direitos, bem como sua dignidade vetada. Nesse viés, procurar inserir mudanças não é um fato opcional.

Faz-se mister discutir ainda, que o investimento no sistema de monitoramento das fronteiras é exíguo. Nesse contexto, a falta de tecnologias necessárias para a aplicação de uma segurança qualificada contribui ainda mais  para o aumento do tráfico de pessoas. Nessa perspectiva, o sistema atuante se torna obsoleto, não conseguindo acompanhar as rotas de crime e as situações de calamidade. Consoante ao filósofo Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Em contrapartida, o que se vê é negligência estatal em aplicar a verba necessária para efetivar a segurança e, consequentemente, evitar que pessoas sejam traficadas. Logo, medidas devem devem ser engendradas com veemência.

Sob o olhar físico de Isaac Newton, um corpo só pode sair da inércia se uma força lhe for aplicada. Portanto, urge uma parceria entre o Poder Público e as forças armadas, transferindo o investimento necessário ao monitoramento das fronteiras e garantindo os direitos de liberdade intrínsecos aos cidadãos, por meio da aplicação de tecnologias de ponta nas rotas fronteiriças, como os sensores digitais que identifiquem o crime organizado através dos desvios comportamentais, sendo os infratores da lei presos sem o direito de pagar fiança, com o fito de devolver a dignidade a cidadãos que nunca deveriam tê-la perdido. Assim, os acorrentados poderão desfazer-se de suas correntes.