É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 03/10/2020
O tráfico negreiro ocorreu na Era Colonial, em que os escravos eram vendidos no litoral africano e levados para Europa e América para trabalhar contra a sua vontade, sem receber remuneração e sobre condições insalubres. No que tange ao período atual, a escravidão continua ocorrendo, mas de forma silenciosa, uma vez que o tráfico de pessoas vem na forma de uma falsa promessa para mudança de vida e atingindo cada vez mais brasileiros, seja pela falta de informação popular, seja pela falta de oportunidades de trabalho. Ora, lidar com essa realidade reflete um cenário de escravidão moderna.
Em primeira análise, a desinformação da população age como catalisador dessa problemática. Nesse sentido, a novela da Rede Globo “Salve Jorge” retrata a história de Morena, uma jovem que recebeu uma proposta de trabalho na Turquia. Nesse contexto, ela aceita a oferta e vai para o país, mas quando chega lá descobre que caiu em uma rede de tráfico de mulheres para a prostituição. Fora da ficção, casos como o de Morena ocorrem cotidianamente, visto que a falta de conhecimento sobre o assunto corrobora para que ocorram mais casos de tráfico de pessoas, na maioria das vezes para a prostituição como ocorreu com a personagem. Desse modo, a falta de políticas publicas que divulguem o tráfico e fiscalizações geram mais vítimas.
Outrossim, a escassa oportunidade de emprego contribui para esse quadro. Com isso, é possível observar que a maior parte das vítimas são da região norte e nordeste, onde quase não há oportunidades trabalhistas e por conta disso são alvos mais fáceis de cair no golpe dos aliciadores. O que comprova tal fato foi o balanço anual do disque 100 divulgado pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, o balanço anual do Disque 100 (Disque Direitos Humanos) referente ao tráfico de pessoas no Brasil. Em 2018, foram 159 denúncias, que resultaram em 170 violações. Dessa maneira, combater essa realidade invisível se faz necessário para uma pátria segura.
Depreende-se, portanto, que o tráfico humano é algo recorrente na sociedade e precisa ser atenuado. Para tanto, é papel da mídia, maior influenciador de opinião pública, informar a população sobre o tráfico de pessoas, por meio de propagandas televisivas que informem sobre as características dessa situação, além de cartazes em aeroportos, com o fito de evitar que mais indivíduos não caiam nessa armadilha. Ademais, é papel do Estado em parceria com o setor privado aumentar o número de vagas de emprego, por meio da criação de concursos que atribuam, principalmente, pessoas de nível fundamental e médio, para que se possa evitar que tenham mais pessoas indo pra fora. Assim, obter-se-á uma sociedade mais segura, oposta ao cenário apresentado na Era Colonial.