É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 05/01/2021
A “Novela Salve Jorge” ressaltou a situação do convívio de seres humanos,para fim de exploração sexual, entre o Brasil e a Turquia.Entretanto, o tráfico de pessoas, seja devido à permeabilidade fronteiriça,seja pela situação de vulnerabilidade socioeconômica, não está apenas no universo ficcional mas também na realidade. Portanto, é necessário um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para o combate a essa atividade sejam sanados.
A priori, pode-se destacar a frase do sociólogo Karl Marx acerca de o governo gerir apenas os negócios comuns à burguesia, visto que a concentração de renda - sobretudo no Brasil - é proporcionada por um sistema financeiro federal estático. Dessarte, há o crescimento da quantidade de pessoas economicamente vulneráveis, o que contribui para que essas sejam ludibriadas por propostas mal intencionadas de melhoria de vida em outros países,correpondendo, muitas vezes, a um cenário de tráfico de pessoas. Por consequência, há o desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prevê os direitos à vida, liberdade e à segurança pessoal, já que, ao chegarem em outros países, as vítimas, frequentemente, são encarceradas e submetidas ao trabalho escravo (sexual ou não) ou à retirada de órgãos.
A posteriori, convém ressaltar a ideia do filósofo Émille Durkheim sobre a sociedade ser como um corpo biológico em que as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade, baseado na conjuntura de que há a displicência com a fiscalização de pessoas nas fronteiras. Dessa forma, esse comércio ilegal é propiciado, visto que, apesar de, em diversos países, haver a exigência de documentação para transpor fronteiras, a falsidade ideológica é, ora pelo atraso tecnológico dos órgãos de segurança, ora pelo despreparo das polícias, dificilmente percebida. Por conseguinte, assim como salienta a escritora Françoise Héritier, que o mal se dá pela indiferença e resignação, novamente, o cenário de tráfico de pessoas é consolidado.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos impasses existentes. Logo, cabe, respectivamente, aos órgãos de defesa fronteiriça mundiais,a compra de equipamentos modernos de verificação de identidade, interligados com bancos de dados mundiais, por meio da Interpol (polícia internacional), com o objetivo de identificar e restringir a passagem de pessoas com identidades falsas; e ao Ministério da Economia, a nível nacional, a realização de reformas econômicas, que supram as necessidades das pessoas mais vulneráveis, e a abertura de cursos de qualificação aos policiais, com a finalidade de que a população não seja vítima de oportunidades irreais e a defesa melhor qualificada .Assim, o tráfico de seres humanos será dificultado mundialmente.