É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 11/01/2021
A assinatura da Lei Àurea, em 1888, emblematizou, no plano teórico, o fim do tráfico humano no território mundial, ao passo que o Brasil foi o último país a exterminar a prática de venda civil. Entretanto, ao analisar o prisma hodierno, o rapto social parece apenas ter modificado-se na sociedade moderna, atualmente não fazendo distinção de etnia ou cor para o recrutamento. Nesse sentido, seja pela ignorância civil no manuseio de redes sociais ou pelo pobre controle estatal de empresas, o número de indivíduos contrabandeados cunha-se alarmante e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é relevante salientar a facilitação da coação humana derivada da internet. À medida que a Revolução Tecnico-Científica-Informacional instituiu-se, no século XX, a aproximação de distâncias e agilização da comunicação foram perpetuadas entre os indivíduos. Contudo, em uma sociedade desigual, o descuido dos canais cibernéticos quanto à veracidade identitária das contas possibilita a aplicação de golpes aos vulneráveis, tendo como resultado o tráfico civil e, muitas vezes, o trabalho escravo. Prova disso são os dados da Organização das Nações Unidas, que revelam 500 milhões de pessoas no mundo vivendo em extrema pobreza - o que, inquestionavelmente, estimula a crença em falsas promessas. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, a pressão dos governos para uma maior responsabilidade das redes é crucial.
Ademais, a negligência dos países em gerir as atividades laborais estimula a manutenção do alojamento não consentido. Sob essa ótica, a obra cinematográfica “Crô-O filme”, produzida pela Globoplay, retrata a prisão de imigrantes ilegais em uma corporação fantasma, uma vez que encena chilenos traficados tendo seus documentos furtados pelos donos da produção. Da mesma forma, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, 40,3 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado na contemporaneidade. Porém, ao analisar a cartilha do Consenso de Washington, que dita as diretrizes dos governos neoliberais, os órgãos estatais são responsáveis por averiguar as atividades das instituições privadas. Desse modo, fazer com que as nações fiscalizem o trabalho local é mister.
Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de combater o tráfico humano. Nesse viés, os principais blocos políticos - como o BRICS e a União Europeia - devem estipular a obrigatoriedade de comprovação identitária nas redes, por meio da aplicação de restrinções no acesso à sites que não confirmem a veracidade das contas, a fim de diminuir a possibilidade de enganos. Outrossim, a Organização das Nações Unidas deve estimular os Estados Nacionais a visitarem as instituições locais, por intermédio de reuniões que elucidem as precárias condições de trabalho contemporâneas, no intuito de evitar o aprisonamento ilegal civil. Apenas assim o contrabando humano será, enfim, extinguido.