É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 30/01/2021
No livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, é retratada a república totalitária e opressora de “Gilead” na qual as mulheres férteis são retiradas à força de seus lares e viram propriedades dos “Comandantes dos Fiéis”. Nesse sentido, a narrativa foca na jornada de Offred, assim como àquelas que são rotuladas “aia”, sofre cárcere privado e exploração sexual. Fora da ficção, é fato que o tráfico de pessoas é um assunto pouco pautado, em resumo, a analogia do universo distópico de Atwood à realidade brasileira torna-se explícita: abuso e a privatização dos direitos fundamentais da vida humana.
Em primeiro lugar, é importante destacar o afastamento social dessas vítimas de escravidão que dificulta a denúncia e a localização, por conseguinte, oportunizam a venda de pessoas a mercadores estrangeiros. Tal evento assemelha-se ao capítulo da telenovela “Xica da Silva”, exibida pela extinta TV Manchete, a protagonista, Xica, e a mãe são vendidas para um sargento. Seguindo essa linha de pensamento, de acordo com o filósofo Karl Max: “No capitalismo, tudo é mercadoria”, assim, é notório a expansão do comércio de humanos por falta da execução de leis que identifiquem tais cidadãos na sociedade.
Consequentemente, a omissão de informação pelo o transgressor é um fator a ser averiguado - coagem as vítimas com promessas e condições de trabalho convidativas com o objetivo de escravizar e ferir os decretos da Constituição Federal. Segundo o poeta Pablo Neruda, por exemplo, as consequências das escolhas nos tornam prisioneiros. Paralelamente, estes não alertados sobre propostas duvidosas, a fim de violentar simbolicamente a ordem legislativa, e aceitam. Logo, o topo da pirâmide esquematizada por agressores desse “ramo” é atingível, perpetuando o problema no país.
À vista disso, é preciso que medidas sejam assumidas para amenizar os impactos no cenário contemporâneo. Para o combate ao tráfico de pessoas ser concretizado, urge que o Ministério da Defesa e o governo federal direcione recursos, por meio de investimentos com base nas Diretrizes Orçamentárias, para o treinamento de militares com o intuito do fácil reconhecimento desses indivíduos. Além disso, cabe ao Ministério das Comunicações com parceria de meios midiáticos promover a divulgação de conteúdos sobre a temática, com o propósito de conscientizar, todos os cidadãos de qualquer faixa etária e etnia, a respeito da escravidão atualmente. Somente assim, a semelhança à distopia de Margaret Atwood será cessada no Brasil.