É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 20/08/2021

Em meados do século XV, o tráfico negreiro trazia africanos para serem escravizados no Brasil, geralmente destinados ao trabalho braçal, na produção de açúcar, sendo base da economia na época. Não tão distante da realidade atual, o tráfico humano ainda é uma atividade corriqueira no Brasil, motivada pela instabilidade política e desigualdade econômica do país. Portanto, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, a qualidade de vida e a falta de oportunidades são os principais motivos que permitem que o tráfico de pessoas ainda seja uma prática muito presente na sociedade brasileira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 14 milhões de brasileiros sofrem com o desemprego. Inevitavelmente, a população torna-se mais suscetível a aceitar propostas enganosas, levadas por um cenário de vulnerabilidade e acabam como vítimas de exploração.

Ademais, embora o tráfico de mulheres e crianças seja mais frequente, as vítimas não possuem um perfil fixo. É um crime articulado para todos, aproveitando da falta de perspectiva para dirigir ofertas de empregos fictícios, promessas de uma vida perfeita, quando na realidade, o propósito é de obter lucro transformando pessoas em mercadoria, dentro de um mercado clandestino. Traços semelhantes do sistema capitalista regente no país, onde tudo é produto. Como diria Durkheim “Nosso egoísmo é, em grande parte, produto da sociedade”.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse impasse. Para isso, o Ministério da Justiça (MJ), por intermediário de campanhas que conscientize os cidadãos de como agir em casos suspeitos, assim como, deve fazer vigorar leis associadas já existentes na Constituição. A sociedade, por sua vez, precisa contribuir no processo de acolhimento das vítimas desse crime, tanto no âmbito social como na inserção no mercado de trabalho, a fim de evitar uma possível revitimização.