É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 03/10/2021

No Segundo Reinado, época no qual foi proibido pela Inglaterra de ocorrer o tráfico negreiro, o Brasil optou por criar propagandas a fim de divulgar empregos e novas terras para os estrangeiros, entretanto, era apenas uma tática para adquirir mão de obra nas lavouras e forçar um trabalho análogo à escravidão. Apesar dos anos do incidente, o tráfico de pessoas ainda é recorrente nessa geração, por problemas como, a falta de treinamento das autoridades em identificar uma possível vítima e o medo da denúncia, tornam um dos crimes mais lucrativos do mundo.

Neste sentido, destaca-se que o Brasil, junto a Colômbia, são líderes no tráfico sexual de mulheres para a indústria do sexo localizada no Japão, EUA e Europa, de acordo a jornalista Priscila Siqueira, especialista nesse tipo de crime. Desse modo, as vítimas são seduzidas com a venda de sonhos de uma vida melhor, de mais segurança e conforto para as suas famílias, porém, ao chegar no local, são expostas a situações de perigo, fome e todos os tipos de violências. Logo, percebe-se a falta de um treinamento adequado nas autoridades que trabalham com a imigração dessas pessoas, pois se fizessem perguntas certas, sobre o local, empresa que a chamou, quem e o porquê do trabalho, poderiam desconfiar e identificar uma possível vítima.

Em virtude disso, o contrabando de pessoas tornou-se o segundo maior crime mais lucrativo do mundo, atrás apenas da venda de armas, segundo a pesquisa da jornalista Priscila Siqueira, assim, as pessoas que começam a suspeitar da oportunidade, já é tarde demais ou ficam com medo de denunciar, por motivos de violência. Por outro lado, apesar de haver o artigo 6 da Constituição Federal, que garante a segurança um direito social a todos, na realidade, quando a vítima busca por ajuda na polícia a fim de justiça, ela é considerada uma imigrante ilegal ou criminosa que merece punição, sendo assim, não há eficácia em denunciar, já que no máximo, será deportada ou presa.

Diante dos fatos expostos, urge que o Ministério de Justiça e Segurança Pública, por meio de treinamentos especializados e um aumento na equipe no setor de imigração, exijam documentos, identificações do local de trabalho, contratante, telefone e endereço de cada pessoa que passe pela imigração, pois ao identificar possíveis sinais, leva-la para o setor que explicará os riscos e o porquê da não autorização da entrada no país. Outrossim, o ministério deve-se juntar a agência de publicidade, por meio de verbas governamentais, a fim de criar propagandas em rádios, jornais e redes sociais, para explicar o que é esse crime e incentivar sua denúncia, logo conscientizaria a geração do problema e as autoridades estariam mais preparadas para lidar com a situação. Desse modo, dificultaria o lucro das rotas de tráfico no país e possíveis trabalhos análogos à escravidão, ocorrido igual à 3 séculos atrás.