É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI

Enviada em 02/10/2019

Estigmas sociais e marginalização da mulher

Simone de Beauvoir possui uma célebre citação que diz: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.” Nessa premissa, ela argumenta sobre os padrões de gênero que rege o mundo na atualidade, não se trata de questões biológicas, mas de conceitos culturais que colocam o sexo feminino numa posição de inferioridade. Essa realidade é constatada pelo Fórum Econômico Mundial, em 2018, que coloca o Brasil em 95° lugar de 149 países no relatório sobre disparidade de gênero. Esse indicador avalia vários parâmetros em relação ao trabalho e à violência, e detecta posição desvantajosa para o país. Logo, é imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI, em virtude da existência de falsos estigmas sociais que colaboram para as práticas de injustiças contra a mulher.

De fato, o conceito patriarcal impôs a condição de inferioridade que denomina a mulher como “sexo frágil”. Nesse contexto, vê-se o machismo imperante em que os homens ocupam posição de destaque tanto no mercado de trabalho quanto no papel de liderança no núcleo familiar. Dessa forma, as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos são colocados como exclusividade feminina. No entanto, esses padrões de exclusividade sujeitam às mulheres a dupla e a tripla jornada de trabalho, como denominada pela a Sociologia, pois além de trabalharem fora de casa, cuidam do lar e dos filhos. Assim, esses conceitos errôneos traduzem em exploração da força de trabalho feminino.

Ademais, esses estigmas construídos socialmente levam à marginalização da mulher. Esse panorama é constatado pelo o IBGE que verifica que no Brasil há uma grotesca diferença de rendimento salarial entre homens e mulheres. Além disso, são elas que ocupam menos postos de liderança em empresas, e, também, estão em menos porcentagem no meio político. Outro fato notório é o grande número de violência e feminicídio praticado no país, que coloca o Estado brasileiro na 5ª posição no ranking de mortes violentas em razão de gênero no mundo, como divulgado pela Folha de São Paulo. Dessa forma, fica evidente que machismo é prejudicial à sociedade, na prática de desigualdade e de violência contra a mulher.

Destarte, é importante quebrar com os estereótipos machistas e posicionar a favor da valorização das mulheres. Dessa maneira, deve o Ministério da Educação, em parceria com o poder midiático, conscientizar todas as pessoas sobre os paradigmas falsos em relação ao gênero feminino, por meio da administração de aulas e divulgação de propagandas. Tal medida deve ser realizada por meio de profissionais especializados como sociólogos e professores. Essa ação colabora para a diminuição de práticas injustas contra a mulher, como a violência e a desigualdade no âmbito familiar e do trabalho.