É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI

Enviada em 31/03/2020

Ao longo de toda história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura hodierna, a desigualdade de gênero. A partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só ao machismo estrutural, mas também à ineficácia do Estado na solução desse infortúnio.

Em uma primeira perspectiva, a desigualdade histórica brasileira apresenta íntima relação com a existência desse cenário. Segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, em sua obra ‘‘Contrato social’’, a desigualdade social surgiu com base na disputa por poder e riqueza entre os indivíduos. Essa ideia encontra-se materializada no processo de formação histórica do Brasil, o qual foi marcado pela disputa por riqueza entre grupos sociais que, consequentemente, fortificou o poder na figura do homem branco detentor de privilégios, instaurando um cenário de desigualdade que dificulta o acesso efeito da igualdade de gênero. Dessa forma, é indubitável que as disparidades existentes entre a figura masculina e feminina dificulta a ampla mitigação de uma sociedade baseada em preceitos patriarcais.

Em uma segunda análise, a alienação social contribui para a persistência da disparidade no acesso aos direitos iguais. A filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do Mal”, refletiu sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual forma os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando as situações sem questionar. O pensamento da filosofia está relacionado ao contexto de alienação da sociedade brasileira no qual os sujeitos sociais se calam diante das questões que prejudicam grupos menos favorecidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, como acesso à igualdade de gênero, para o cumprimento de direitos sociais. Nesse contexto, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos indivíduos.

Verifica-se, portanto, que a desigualdade, em paralelo à compactação social, é um fator fundamental para a persistência desse panorama. A fim de formar uma sociedade justa e igualitária, o Poder Executivo Federal, além de superar desigualdades históricas, deve desenvolver projetos do governo que informem a sociedade sobre a importância de agir para garantir a igualdade no acesso à oportunidades. Essa medida deve ser realizada por meio de debates oferecidos por profissionais que estudam dados estatísticos sobre o problema, garantindo o convencimento social. Com a realização dessa medida, será possível usufruir do avanço tecnológico de modo positivo para o país