É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI
Enviada em 28/10/2020
A Constituição Federal do Brasil, de 1988 , em seu artigo 5º, garante que homens e mulheres são iguais em direitos e deveres, retratando assim a importância da igualdade de gênero na sociedade. Entretanto, apesar de ser assegurado por lei, nos dias hodiernos, ainda se encontra presente a desigualdade entre homens e mulheres no Brasil, em decorrência do patriarcalismo exacerbado e da negligência social em combater tal problemática.
Em primeiro lugar, é necessário salientar o poder progressivo da sociedade patriarcal em subjugar e subestimar as mulheres, impedindo os avanços no princípio da isonomia e criando uma hierarquização dos papéis do homem e da mulher no meio social, visto que o poder decisório se concentra apenas na figura masculina. Na canção “Mulheres de Atenas”, o cantor Chico Buarque retrata bem essa situação ao relatar o papel social das mulheres na Grécia Antiga, elas não tinham autonomia perante a sociedade, sendo altamente discriminadas e violentadas. Portanto, a perpetuação desse comportamento machista no meio corrobora para uma banalização de atitudes misóginas, como assédio , estupro e até mesmo o feminicídio.
Em segundo lugar, vale ressaltar a persistência de casos que refutam a igualdade de gênero no Brasil, fomentada pelo descaso da população em enfrentar esses acontecimentos. Para o sociólogo Pierre Bourdieu, essa falta de preocupação dos indivíduos em analisar e combater esses atos discriminatórios se deve a teoria do Habitus, o fato do ser humano ter uma maior tendência a incorporar estruturas sociais e comportamentos de sua época, perpetuando-os, como o caso do machismo e misoginia. Logo, a coletividade impõe padrões a serem seguidos, assim as mulheres são desencorajadas e marginalizadas até mesmo no âmbito familiar.
Diante desse pressuposto, são necessárias medidas que ampliem a igualdade de gênero na sociedade do século XXI. Dessa forma, as Secretarias Estaduais de Educação podem inserir nas escolas brasileiras, a inclusão feminina no esporte, política e nas demais áreas, através de atividades lúdicas, jogos educativos e palestras, com o intuito de perpetuar a civilidade e o respeito diante dos gêneros, combatendo dessa maneira qualquer tipo de segregação existente entre homens e mulheres desde a juventude. Ademais, cabe ao Estado a criação de mais organizações estatais qualificadas e específicas para o combate desses crimes de gênero, através de ações com a Segurança Pública, com a finalidade de garantir a efetivação do princípio de isonomia. Destarte, será possível construir uma sociedade mais igualitária e menos guiada pelos impulsos patriarcais.