É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI

Enviada em 06/11/2020

Na perspectiva histórica, o movimento sufragista, ocorrido entre os séculos XIX e XX, organizou a luta das mulheres pelo direito ao voto. Nesse viés, hodiernamente, as lutas femininas de conquista de espaço na sociedade e de igualdade de gênero, ainda permanecem constantes, visto que a desinformação civil e os estereótipos impostos afetam diretamente nesse processo. Desse modo, entender a escola como um processo de transformação, bem como aumentar a representatividade das mulheres são fatores primordiais para alterar essa lastimável conjuntura.

A priori, na concepção do sociólogo Florestan Fernandes, a educação transformadora se faz com uma escola capaz de se desfazer, por si mesma, do autoritarismo, da doutrinação e dos preconceitos. Contudo, é notório que a perpetuação dos estereótipos de gênero é decorrente de padrões machistas amplamente presente na sociedade, o qual é propagado, principalmente, na ausência de projetos políticos pedagógicos nas instituições de ensino. Nessa conjuntura, nota-se que as escolas são omissas nesse tema, no sentido de não incluir temas como igualdade de gênero na sua grade curricular, de modo que formam cidadãos e cidadãs sem poder crítico e tolerantes em relação a atos machistas praticados contra a mulher, posto que não foram desconstruídos tais preconceitos ancestrais.       Faz-se mister, ainda, salientar a desvalorização feminina no mercado de trabalho em comparação com os homens como impulsionador do problema. Em coadunação com dados da ONU, em 2017, a média global de mulheres no Congresso era 23%. Diante desse cenário, pode-se constatar a falta de representatividade desse público em cargos de poder, devido à exclusão histórica das mulheres na política. Diante disso, é lenta a progressão em torno das questões femininas no debate público, assuntos que permeiam esse público, como aborto e maternidade, não são discutidos com a devida ressalva pelos homens quanto seria pelas mulheres, que é público afetado em questão.

Logo, cabe ao Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação civil – inserir, na grade curricular, desde a tenra idade, disciplinas como “Educação Cidadã”, por meio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, com o intuito de que os futuros adultos aprendam assuntos relacionados à igualdade de gênero nas escolas. Ademais, é fundamental o Terceiro Setor – composto por entidades que prestam serviços de caráter público – informar e sensibilizar, por intermédio de palestras e de grupos de discussão sobre a importância da representatividade feminina na política, com o fito de alcançar a igualdade desse cenário.