É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI
Enviada em 24/04/2021
Na obra cinematográfica “Revolta em Dagenham”, um grupo de operárias da década de 60 organiza um movimento exigindo melhores condições de trabalho e igualdade salarial, pois serviço é diferente, porém possui o mesmo valor do realizado pelos homens. De maneira análoga, no Brasil, ainda existe uma desvalorização da mulher na sociedade, seja no mercado de trabalho ou na visão da coletividade do país. Nesse sentido, cabe analisar os papeis de gênero impostos e a falta de representação política feminina como inibidores da igualdade de gênero na sociedade brasileira.
Diante desse cenário, considare-se que com o sedentarismo, surge uma organização social a partir do sexo, resultando em padrões, principalmente na esfera laborial e familiar. Segundo Simone de Beauvoir, ser mulher não é definido pelo nascimento e sim formado ao longo da vida de acordo com as construções sociais. Sob esse viés, a estratificação social pelo gênero é enraizada nas coletividades de forma a aprisionar mulheres em moldes que impedem uma participação nos corpos sociais simétrica a dos homens, sendo oferecidas apenas oportunidades que condizem com os estereótipos maternais ou de inferioridade física e cognitiva. Aliás, muitas mulheres se resignam às estruturas vigentes visto que as contruções de gênero as induzem a acatar que são incapazes de ter ambição ou exercer a mesma função que homens. Por conseguinte, é mantida a desigualdade de gênero intrínseca ao corpo social brasileiro.
Ademais, na maioria dos países, houve uma concessão tardia do direito ao voto para as mulheres, que até nos grandes exemplos de democracia, como a grega, eram excluídas das escolhar políticas. Nesse contexto, torna-se relevante o conceito de lugar de fala, segundo Djamila Ribeiro, que consiste na posição social de indivíduos, que traz consigo experiências e perspectivas particulares. À luz dessa ideia, mulheres, principalmente negras, são constantemente silenciadas nos corpos sociais e políticos, todavia são as que melhor compreendem suas idiossincrasias para atuar efetivamente sobre elas, arquitetando inclusividade na sociedade brasileira e representatividade. Consequentemente, sem a presença de membros dessa comunidade marginalizada, há um descaso entre suas necessidades e as decisões tomadas pelo Estado brasileiro, composto por aqueles que não as entendem, mantendo desigualdade de gênero.
Portanto, urge mudança desse quadro. “A priori”, é necessário que o Ministério da Educação combata os padrões de gênero mediante uma campanha de conscientização, com aulas e palestras, visando quebras as construções utilizadas para justificar a exclusão feminina. É imperioso, ainda, que o Tribuneal Superior Eleitoral aumente a porcentagem do fundio partidário direcionada a campanhas femi