É imprescindível garantir a igualdade de gênero no século XXI

Enviada em 06/08/2021

A Constituição de 1988 afirmou que teria igualdade entre os gêneros. No entanto, ainda hoje, as mulheres necessitam da autorização do marido para realizar a laqueadura -cirurgia que resulta na infertilidade. Nessa perpectiva, percebe-se que problemas como a desigualdade de gênero persistem no Brasil, pois, a família e o Estado atuam de forma negligente.

Em uma primeira análise, vale ressaltar a negligência existente no âmbito familiar. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, é dever da família socializar o indivíduo a partir das normas sociais. Todavia, de maneira diferente ocorre no contexto brasileiro, pois, muitas famílias impõem cobranças e valores apenas no sexo feminino. Como por exemplo, a menina deve realizar as obrigações domésticas - cozinhar, limpar - e portar-se da forma  ideal, falar e sentar-se corretamente e enquanto isso, os meninos devem ser crianças e não se importar com obrigações. Sendo assim, a família não incentiva a igualdade e compactua com o mal que afeta principalmente as mulheres.                                                            Outrossim, é necessário ressaltar também, que o Estado cala-se frente a desigualdade. Conforme o IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- cerca de 20% das mulheres ganham menos que os homens, mesmo exercendo a mesma função. Em vista disso, as empresas acham justo pagar menos ao sexo feminino porque as assalariadas podem engravidar e caso isso aconteça, o empregador terá que contratar uma substituta. Nessa lógica, é notório que os empresários usam a possibilidade das empregadas engravidar como desculpa, sem receio algum, pois, o Estado não faz nada frente a essa problemática.

Evidencia-se, portanto, que os pilares sociais contribuem para o desequilíbrio entre sexos. Posto isso, cabe ao governo implementar campanhas de conscientização pela igualdade de gênero, por meio dos canais de comunicação -rádio, televisão- a fim de que o ciclo familiar eduque promovendo a harmonia. Ademais, cabe ao Ministério da Economia incentivar, financeiramente, os empresários a remunerar de forma justa as empregadas e também aplicar multas a quem contribuir com a diferença entre homens e mulheres. Se assim for feito, a sociedade estará mais perto de alcançar a teoria ditada na Constituição vigente.