É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 14/10/2019

Na série “Inacreditável”, baseada em fatos reais, da Netflix, uma sucessão de casos de estupros ocorre e a vítima precisa provar a culpa do criminoso. A série explora didaticamente o que é a cultura do estupro e como ela normatiza o comportamento violento dos homens em detrimento de culpabilizar as vítimas. Fora das telas, a realidade não é diferente, uma vez que o patriarcalismo e o machismo estão enraizados na população desde a sua formação e contribuem, portanto, para estigmatizar as mulheres e conceber como normal a violência atribuída a elas. Assim, o estupro e suas ideologias são um problema a ser combatido por toda a sociedade.

Inicialmente, segundo dados do Folha de São Paulo, o Brasil registra mais de 180 casos de estupro por dia. Consoante a isso, verifica-se que os índices são alarmantes e cada vez maiores na atualidade, pois uma boa parte dos casos não são notificados ou são silenciados por motivos como o medo do agressor, o medo de serem culpabilizadas e a vergonha moral. Nesse sentido, possivelmente pelo fato das mulheres estarem mais empoderadas de seus direitos, a exemplo do uso de roupas justas e de irem para festas sozinhas, o que não ocorria antigamente, provoque, nos homens e em algumas pessoas, a ideia, equivocada, de que a culpa dela ser estuprada seja devido ao seu comportamento. Dessa forma, a problemática inaceitavelmente persiste, dado que o pensamento machista e patriarcal contamina a sociedade e exime os agressores de sua culpa configurando esse crime como natural.

Ademais, observa-se que a violência empregada nesses atos provoca traumas físicos e psicológicos que perpetuam toda a vida da vítima. Além disso, um fator gravíssimo é que, muitas vezes, esses atos ocorrem dentro do ambiente familiar, o qual deveria ser local de proteção e não de propensão a abusos. De acordo com dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, 69% dos casos de abuso sexual ocorrem na residência da vítima. Nesse sentido, Conforme Benedito Croce, a violência não é força, sim fraqueza, e sua ação não cria nada, pelo contrário, destrói.

Portanto, evidencia-se a necessidade de dirimir a problemática do estupro culturalmente instalada no país. O Ministério da Justiça deve propor campanhas e debates, por meio do uso das mídias como outdoor, redes sociais, e programas de TV com especialistas e psicólogos, para estimular que haja uma maior conscientização acerca da denúncia e a desestigmatização das vítimas, com efeito a diminuir a impunidade dos abusos. Desse modo, a população possa coibir essa cultura inadmissível que assola o Brasil.