É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 20/10/2019

Na série americana “Grey’s Anatomy”, uma personagem sofreu violência sexual e se culpou por isso, buscando ações diferentes que pudessem ter inviabilizado o crime. Tal episódio faz analogia com a maneira que vítimas de abuso ou assédio sexual se culpam ao invés de culpar o agressor. Combater a cultura do estupro é vital para não ocorrer mais danos à vida.

A priori, o machismo é motor para a problemática. Segundo o filósofo Émille Durkheim, o homem é um produto do meio em que vive. Sendo assim, as mulheres da sociedade estão habituadas a uma realidade em que sempre são culpadas indiretamente pela agressão que sofrem, com a normalização de atitudes do homem, como o assédio em ambientes públicos que, por vezes, são explicados pelas roupas ou ações das próprias vítimas. Logo, uma visão ornamentada pelo machismo presente na sociedade potencializa a cultura do estupro.

Outrossim, a falha estatal deve ser compreendida. De acordo com John Locke, filósofo inglês, foi afirmado que o governo deve suprir as necessidades básicas da população. Desse modo, ao não oferecer formas de combate ou desestimulação à normalização de violência sexual, o Estado contribui com a cultura do crime de abuso. O crime se torna um ato velado pela má distribuição de informação pelo Governo à população. Por isso, devido a ineficácia do Estado em lidar com  problema, a questão é intensificada.

À luz do exposto, é importante combater a cultura do estupro. As escolas devem ter aulas de Educação Sexual como matéria básica, tendo o Ministério da Educação adicionado na grade curricular para que os jovens sejam informados e possuam capacidade de discernimento de ações que possam vir a ser crimes. A mídia deve exibir peças publicitárias contra a cultura do estupro e a não culpabilização da vítima, sendo tais campanhas realizadas com verbas do Governo. Isso para desestruturar o pensamento machista na sociedade e lutar contra a violência sexual que atinge a vida.