É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 29/06/2020
É notório que a cultura do estupro tem como base a desigualdade entre homens e mulheres, na qual mulheres são vistas como inferiores e, muitas vezes, tem o seu corpo visto objeto de satisfação e propriedade masculina, o que autoriza, banaliza ou alimenta diversos categorias de violência física e psicológica, entre quais o estupro. Diante dos acontecimentos atuais, o estupro coletivo cometido a uma jovem de 16 anos, no Rio de Janeiro, a discussão acerca do combate a cultura machista e do estupro vem sendo discutida.
O Brasil representa essa herança cultural patriarcal fortemente perceptível no dia-a-dia. No período colonial a mulher era submissa a regras que limitavam seu modo de agir e de se comportar, prevalecia a busca pela conservação dos padrões da moral cristã e da honra. No entanto havia uma clara hierarquia social, por exemplo, a sociedade escrava tolerava o estupro de negras escravas e índias.
Outrossim, há a culpabilização da vítima reforçada pelas heranças patriarcais e machistas, o que inibe as denúncias, somado a isso há a falta de preparo das autoridades responsáveis por escutar e dar seguimento à denúncia. Desse modo, há uma deficiência no atendimento às vítimas, principalmente quando essa autoridade é um homem, causando um desconforto para vítima. As estatísticas do IPEA demonstram que apenas 10% de todos os crimes de violência sexual são denunciados, ou seja, 90% não chega ao conhecimento das autoridades e ,muitas vezes, nem das pessoas próximas à vítima. Assim, vê-se quão prejudicial é essa cultura do estupro que culpabiliza a vítima baseado pelo machismo e patriarcalismo presentes marcadamente no cotidiano da sociedade brasileira.