É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 17/05/2020

Com o advento do Feminismo, o processo de empoderamento feminino em busca de direitos equânimes tornou-se efetivo. Nesse contexto, uma das principais causas do movimento é o combate à cultura do estupro, que no Brasil, tem como base os traços patriarcais enraizados na população e uma educação sexual deficitária ou inexistente.

A priori, é válido ressaltar que o patriarcalismo é um dos grandes fomentadores do problema. De acordo com Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo banal. Nessa perspectiva, é notório que os traços culturais de um povo em muito influência na forma com que a sociedade age. Na Suécia, por exemplo, há uma cultura que incentiva as mulheres a denunciar quantas vezes forem necessárias  - isto é, quantas vezes ocorrerem - os abusos sofridos, diferente do que ocorre no Brasil. Além disso, a cultura patriarcal que impera no Brasil influência na culpabilização da vítima, gerando um certo teor de aceitação e incentivo, o que é bem visualizado nas pesquisas realizadas pela USP que afirmam que 70% das vítimas são descredibilizadas, tornando-se claro que o estupro é um dos únicos crimes em que as vítimas são julgadas com seus agressores.

A posteriori, é nítido o quanto a educação sexual deficitária ou inexistente corrobora com a problemática. De acordo com Drauzio Varella, a sexualização da mulher como objeto estimula o alto número de casos. Por conseguinte, é explícito que desde a tenra idade, as crianças são estimuladas a pensar da maneira como foi supracitado, o que normaliza, de certa forma, o pressuposto de que o corpo feminino deve ser violado e não respeitado. Dessa forma, o tabu envolvido no que tange a educação sexual necessita ser superado - visto que, no Brasil, todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas, de acordo com dados do Forúm Brasileiro de Segurança - para que as consequências para a sociedade futura tenham um índice menor de desrespeito com as mulheres que são tão importantes para a sociedade quanto os homens.

Destarte, é verídico que o problema necessita ser combatido no Brasil. Portanto, é necessário que o Governo, por meio de projetos difundidos virtualmente, principalmente em redes sociais, evidencie a importância do combate e da conscientização da cultura do estupro, a fim de reverter traços culturais que que contradizem tal importância. Além disso, é imperioso que o Governo e o Ministério da Educação e da Cultura tornem efetivo e permanente a incrementação do ensino da educação sexual, por meio de treinamentos semestrais de professores de biologia, a fim de tornar acessível e amplo o ensino. Assim, ter-se-á a amenização da problemática.