É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 19/05/2020

A obra cinematográfica “Paulina” retrata a história de uma mulher vítima de estupro coletivo, que além de sofrer em virtude do acontecimento traumático, precisa encontrar forças para lidar com a cultura do estupro e a incompetência judicial. Tal situação é comum não apenas nos filmes, mas na vida real também, haja vista que a sociedade possui uma visão enraizada de normalização da violência sexual e costuma culpar as vítimas pelos abusos sofridos. Ademais, a falta de amparo físico e psicológico por meio de medidas judiciais faz com que a mulher se sinta insegura para denunciar o seu agressor. Desse modo, é de suma importância a criação de medidas que combatam à cultura do estupro e protejam as mulheres.

O machismo e a grande idealização do patriarcado são aspectos presentes no corpo social há muitos anos, que repassam ideias errôneas sobre relacionamentos, onde a mulher é sempre vista como submissa e obrigada a satisfazer os desejos sexuais masculinos. Todavia, é necessário mudar esses pensamentos que contribuem para a objetificação da mulher e a justificação de atos de agressividade. Logo, os meninos devem ser ensinados desde a infância sobre a importância do respeito e do consentimento em relações amorosas, assim como as meninas precisam ser orientadas para aprender a identificar abusos e denunciar o indivíduo culpado.

Além disso, as mulheres possuem enorme dificuldade para delatar seu agressor, uma vez que a tendência de culpabilização da vítima é algo frequente. Esse aspecto pode ser entendido como a incessante busca da sociedade por maneiras de responsabilizar o lado feminino, um exemplo é a tentativa de justificar um estupro colocando a culpa no tamanho das vestimentas de uma mulher. Tudo isso contribui para a falta de coragem e leva a pessoa a acreditar que é realmente culpada, quando na verdade ela é inocente. Assim, é fulcral que medidas preventivas sejam elaboradas para garantir segurança e bem-estar às vítimas.

Portanto, para sanar tais problemas é essencial que o Estado, com o auxilio do Ministério da Educação, elabore e execute um programa para as escolas com intuito de educar crianças e adolescentes sobre relacionamentos saudáveis e autodefesa, a fim de evitar que meninos se tornem agressores futuramente e incentivar as meninas a lutar contra a violência. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar uma lei que forneça tratamentos físicos, psicológicos e garanta total proteção para vítimas de estupro, de modo que as mulheres sejam preservadas e asseguradas. Dessa maneira, reduzir-se-á a normalização da cultura do estupro e impedir-se-á que histórias inaceitáveis como a narrada no filme “Paulina” ocorram novamente.