É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 20/05/2020
Durante o feudalismo, na Idade Média, a nobreza tinha plenos poderes sobre seus servos, principalmente sobre as mulheres. Elas eram obrigadas, por exemplo, a se deitarem com o senhor feudal, na primeira noite de seus casamentos. Tal acontecimento era uma prática considerada normal na época. Sob essa ótica, observamos que nos dias atuais, a cultura do estupro é difundida na sociedade com essa mesma normalidade observada em séculos passados. Esse cenário nefasto ocorre, porque, muitos homens são “educados” desde pequenos, a tratarem as mulheres como mercadorias e também porque muitas vítimas não denunciam seus agressores. Desse modo, para vivermos em uma sociedade mais igualitária é crucial lutar contra a cultura do estupro.
É relevante abordar, primeiramente, que a masculinidade tóxica - termo muito discutido nos movimentos de luta contra o assédio sexual -, fere os direitos da mulher, garantidos pela Constituição de 1988. Além disso, a sociedade constantemente encoraja homens e meninos - crianças, de fato -, a se desconectarem de suas emoções e fazer o uso da violência para solucionar conflitos e degradar as mulheres. Neste contexto, observamos que mudanças educacionais são necessárias para se combater a cultura do estupro.
Outrossim, a série Inacreditável - produção cinematográfica que acompanha uma cadeia de estupros ocorridos entre 2008 e 2011 nos Estados Unidos -, retrata entre vários aspectos, a difícil tomada de decisão de denunciar o agressor. Vemos hoje em dia, que muitas mulheres sentem esse medo de acusar o seu marido, namorado, pai, irmão ou parente, imaginando que a culpa pertence à ela mesma. Tais vítimas, sentem vergonha da sociedade e esse aspecto precisa ser modificado para que esses indivíduos sejam penalizados pelos crimes cometidos. Assim, muitas esposas, filhas, primas, ou seja, muitas mulheres, poderão usufruir de sua dignidade plena.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação deva criar um programa educacional obrigatório em escolas públicas e privadas que ensine às crianças o respeito e a igualdade entre meninos e meninas. Através de campanhas e materiais didáticos que integrem todos os alunos, a formação social contemplará uma igualdade realmente justa. Além disso, todas as unidades da Delegacia da Mulher, devem ofertar um canal de auxílio e assistência às vítimas de agressão, por meio de aplicativos e “whatsapp”, para que haja um acompanhamento na pós denúncia. Portanto, com essas ações podemos combater a cultura do estupro e, assim, teremos a chance de criarmos indivíduos que não repetirão as atitudes dos antigos senhores feudais e, então, faremos valer na íntegra a Constituição de 1988.