É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 15/06/2020

Segundo a feminista e atriz Emma Watson “Se não se obriga um homem a acreditar que precisa ser agressivo, a mulher não será submissa. Se não se ensina a um homem que tem de ser controlador, a mulher não será controlada”. Nesse contexto, machista e patriarcal, a cultura do estupro banaliza, legitima e justifica a violência contra a mulher. Portanto, é imprescindível o combate tanto a normalização e banalização  quanto a relativização dos atos cometidos contra o gênero feminino.

Inicialmente, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) 73% das mulheres norte -americanas não achavam que tinham sido estupradas, apesar de sentir que tinham sofrido um crime. Por conseguinte, é perceptível que os números de casos de assédio e estupro são muitos altos e por isso banalizados. De acordo com a feminista Chimamanda “Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal”. Porém, ter seu corpo violado não deveria ser visto como cotidiano e indiferente.

Além disso, o estupro é o único crime onde a vítima é julgada junto com o criminoso. De acordo com o IPEA 58% dos brasileiros acreditam que, se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. Logo, as vítimas que deveriam ser acolhidas são desacreditadas e qustionadas. Nesse contexto, dividir parte da culpa de um crime de violência sexual com a própria vítima é atenuar a ação do agressor. Dessa forma, as mulheres não denunciam seus agressores, policiais não investigam as acusações e famílias ignoram os pedidos de ajuda.

É evidente, portanto, a necessidade da luta contra a cultura de estupro para a diminuir as taxas de violência contra mulher. Porém, para que a erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o gênero feminino. Assim como, cabe ao Governo fazer parceria com as ONGs, em que elas possam encaminhar, mais rapidamente, os casos de agressões às Delegacias da Mulher e o Estado fiscalizar severamente o andamento dos processos. Dessa maneira, as vítimas finalmente poderiam ser ouvidas e não julgadas.

58% acreditam que, se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros.