É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 23/10/2020
É possível afirmar que há no Brasil uma cultura do estupro, haja vista, o registro oficial de 50 mil casos anuais e de outros tantos, certamente, subnotificados. Tal cenário está em consonância com a objetificação da mulher e a relativização da violência sexual sofrida pela mesma. Sendo o fenômeno de origem cultural e não natural, sua desconstrução é igualmente possível.
No caso brasileiro, o passado colonial centrado na figura do senhor de engenho, naturalizou a concepção de que a mulher pode vir a ser tratada como objeto. Logo, é possível fazer qualquer coisa que se deseje[3], inclusive violentá-la. A relativização desse fenômeno é percebida quando a mídia e a sociedade lançam sobre os ombros da própria vítima a responsabilidade pela violência sofrida. Além disso, as ameaças proferidas pelo agressor fomentam a subnotificação e a aparente inexistência desse tipo de crime no país. Segundo o historiador Boris Fausto, o cenário encontra sustento no patriarcalismo e no machismo histórico.
Mulheres também são ser humanos e não merecem nenhum tipo de agressão, seja verbal ou psicológico.