É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 16/07/2020
No livro “O Conto de Aia” as mulheres são controladas por uma sociedade totalitária, sendo consideradas como inferiores e servindo apenas para a reprodução, que acontecia de forma forçada. Apesar de ser um fato aparentemente impossível por seu viés violento e injusto em relação as mulheres, a realidade vivida por elas não é muito distante. Portanto, a sociedade patriarcal reproduz o machismo e a cultura do estrupo, e dessa forma, a violência é normalizada e as vítimas tornam-se culpadas.
Contínuo a isso, segundo a filosofa Simone de Beauvoir ninguém nasce mulher, pois é a sociedade que cria padrões que estabelecem a condição de gênero. Dessa forma, o patriarcalismo molda os indivíduos a seu favor, oprimindo as mulheres. Assim, a desigualdade pode ser observada em diversas falas e momentos. Como o fato de muitos acharem que é errado uma mulher se relacionar com várias pessoas, enquanto que o homem é ensinado a agir dessa forma. Em suma, o machismo estabelece uma moral que limita as mulheres e que deslegitima seus discursos. Nesse sentido, a cultura do estupro é um produto derivado do patriarcalismo.
Por conseguinte, na série “Coisa Mais Linda” uma das personagens é morta pelo seu marido que a agredia por não aceitar que ela seguisse seu sonho de ser cantora. Durante o julgamento, ela foi vista por muitos como a culpada do crime, pois deveria ter respeitado o marido e se comportado. A cena não se restringe a ficção, sendo muito comum que vítimas de algum tipo de abuso sejam culpabilizadas. Por conta da cultura do estupro, casos de violência são normalizados e geralmente não possuem a devida importância. Ademais, essa forma de pensamento causa um grande impacto para as vítimas, pois dificulta a denúncia. Segundo a matéria do jornal Folha de São Paulo, o Brasil registra mais de 175 estupros por dia, porém o número pode ser bem maior, já que muitos casos não são notificados.
É evidente que a cultura do estrupo é um problema que deve ser combatido. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão governamental responsável pela educação do país, adicionar a educação sexual nas escolas. A ação deve ocorrer por meio de livros didáticos ministrados por especialistas preparados, com o objetivo de ensinar sobre consentimento e sobre abusos. Assim, os indivíduos aprenderão desde cedo a respeitar e a denunciar as agressões.