É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 22/07/2020
O seriado brasileiro “Coisa Mais Linda” aborda a história de quatro mulheres na década de 1960, onde a concepção de igualdade de direitos não existia e a supremacia masculina era normalizada. Tal realidade possibilitava margem para o machismo e a cultura do estupro. De maneira análoga à obra cinematográfica, na sociedade atual, nota-se a problemática persistente em relação à violência sexual, geralmente cometida contra pessoas do sexo feminino e indivíduos fisicamente vulneráveis, necessitando urgentemente de resoluções efetivas.
Em primeira análise, segundo a diretora de pesquisas da Organização Mundial da Saúde, “o estupro não é um ato isolado e breve. Ele danifica a carne e reverbera na memória." Tal fato reflete a opressão vivenciada pelas vítimas, podendo decorrer de chantagens emocionais e violência física proferidas pelo agressor, impactando diretamente na saúde do indivíduo violado, uma vez que este vive uma experiência traumática decorrente de um ato não consentido. Nesse sentido, é imprescindível a necessidade da denúncia como forma de proteção à vítima e aplicação penal ao opressor.
Em segunda análise, faz-se necessário destacar que a relação sexual sem consentimento é um dos crimes mais subnotificados na sociedade brasileira, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Constata-se, portanto, a importância de um trabalho sinérgico efetuado pelo corpo cívico e órgãos de segurança pública, uma vez que existem inúmeros casos de violações desconhecidos e comumente realizados. Compreende-se, então, a necessidade de incentivar as vítimas a denunciar os abusos, a fim de extinguir o problema supradito.
Em síntese, é indiscutível a importância do combate à cultura do estupro, de modo a não regredir ao Brasil de 1960, como demonstrado em “Coisa Mais Linda”. Logo, o Governo, como segurador do bem-estar social, deve i eleger palestras e debates públicos sobre o tema, orientando a população e oportunizando a educação sexual nas escolas, a fim de informar os mais jovens sobre os cuidados e a importância de consentir uma relação sexual, além de investir em organizações de apoio às vítimas do abuso.