É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 31/07/2020

No século XIX, o Romantismo transmitia uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie alega que “o problema da questão de gênero é prescrever como devemos ser em vez de reconhecer como somos”, comprovando as raízes arcaicas da sociedade. Nesse sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos, e para garantir liberdade à mulher, intervenções são necessárias.

Primeiramente, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Mesmo que o Feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriarcalismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, direito de ir e vir e empoderamento. Desse modo, os ideias conservadores se sobrepõem à realidade.

Além disso, há hoje a banalização do assédio e as redes sociais tornaram-se uma ferramenta para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas, trabalho e, até dentro da própria casa, as cantadas, puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Me avisa quando chegar” e “Vamos juntas?” percorrem o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.

A fim de alterar o olhar machista, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com impacto apelativo, devem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do abuso, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O Governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação, dessa forma garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.