É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 12/08/2020

“O homem é a medida de todas as coisas”. Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente à cultura do estupro perpetuada na sociedade hodierna, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, os desafios são inúmeros e evidentes quanto aos problemas relacionados ao combate à cultura do estupro, principalmente devido à uma herança histórica machista e segregadora.

Em primeira análise, convém frisar a extrema importância de destacar o termo “cultura do estupro” para apontar comportamentos tanto sutis, quanto explícitos que silenciam ou relativizam à violência contra a mulher. Sob essa perspectiva, muitas pessoas acreditam que a expressão estupro é somente o ato sexual, todavia na realidade é considerado qualquer atitude cotidiana que desagrade ou hostilize à liberdade moral feminina. Em virtude disso, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos, de modo a verificar essa célebre máxima na forma como muitos homens avaliam o caráter ou a intenção de uma mulher apenas pela sua aparência física. Sendo assim, a cultura do estupro passa adiante uma mensagem de que a figura feminina não é um ser humano, e sim uma coisa extremamente objetificável.

Ademais, a violência sexual contra a mulher é normalizada pela mídia e pela cultura popular, a partir de uma herança histórica machista e segregadora. Sob essa ótica, os setores midiáticos perduram e sustentam na cultura popular à naturalização de termos que as denigrem, a começar por campanhas publicitárias em que elas estão lá, em primeiro lugar, por serem bonitas e terem corpos esculturais. Dessa maneira, essa lamentável objetificação permite que as vidas e os corpos das mulheres sejam explorados, mercantilizados, e inclusive agredidos, o que contribui com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em que a cada uma hora e meia, uma mulher morre no Brasil por causas relacionadas a violência. Afetando assim, diretamente o bem-estar da figura feminina.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe os setores midiáticos, o papel de difundir campanhas publicitárias, com intuito de informar a população sobre à cultura do estupro, bem como documentários com a finalidade de desconstruir a herança histórica dessa prática, na tentativa de desnaturalizá-la, por meio de plataformas de ampla visibilidade, de modo a levar esse conhecimento para os que não possuem o acesso necessário, para que haja uma ampla mobilização, a fim de desmistificar e combater anos de cultura contra a violação.