É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 17/08/2020

A cultura da violência sexual na sociedade brasileira

A violência sexual no Brasil inicia-se na colonização do país, quando índias foram violentadas sexualmente por colonizadores. Tal situação contribuiu com a construção da cultura do estupro, que há séculos foi incorporada à sociedade brasileira. Desse modo, o abuso sexual tornou-se culturalmente comum, assim como o descaso social relacionado a ele; pois assédios e outros crimes sexuais são tratados como crimes costumeiros e não movimentam a sociedade para conscientizar-se e desconstruir-se em relação a esse fato.

Primeiramente, é necessário destacar que vítimas de estupro nem sempre recebem suporte judicial ou de saúde quando o crime acontece. O caso de Marina Ferrer- Jovem abusada sexualmente em um clube de Florianópolis- comprova essa idéia, pois após ter sido vítima de violência sexual e buscar ajuda, a moça não foi acolhida como deveria e seu caso ficou impune, ela acusa os policiais militares de omissão e de protegerem a identidade do criminoso por se tratar de uma pessoa com poder. Porém, a impunidade no crime sofrido por Marina Ferrer não é caso isolado, ele esclarece esse fato recorrente no Brasil. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha, quase 1% dos criminosos são castigados, enquanto os outros 99% estão livres e dispostos a cometer novamente violação sexual.

Ademais, é preciso observar a maneira que a sociedade lida com vítimas de estupro. Pois, sem conhecer o criminoso, tende a culpar a vítima pela violência sofrida e faz a mesma achar que a responsabilidade no momento do estupro foi dela. De acordo com o levantamento do Datafolha, um em cada três brasileiros acreditam que a culpa do estupro foi da roupa usada pela mulher no momento do crime. Evidencia-se, assim, que a sociedade brasileira ainda trata a violência sexual como um crime de responsabilidade da vítima e que sua contrução histórica a leva a tomar atitudes machistas com o caso, como acobertar o autor do crime e minimizar o sofrimento da violentada.

Conclui-se, portanto, que a cultura do estupro ainda é algo recorrente no Brasil. Por isso, a reeducação da sociedade em relação a casos de violência sexual é imprescindível, assim como leis mais rígidas e firmes que castigassem o autor dos crimes. Sendo que, a reeducação da crença machista da sociedade deveria ser construida através da educação sexual, que seria transmitida em escolas com o finaciamento do ministério da Educação. Assim como as leis que deveriam ser abordadas em discussões no Tribunal Federal, objetivando novas leis que garantem o suporte físico e emocional à vitima de estupro, como regras que punam de forma rígida criminosos sexuais para que outras pessoas não sofram com a violação sexual.