É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 18/08/2020

A cultura do estupro tem como base a desigualdade entre os homens e as mulheres, na qual as mulheres são vistas como inferiores e, muitas vezes, tem seu corpo visto como objeto de desejo e propriedade do homem o que autoriza, banaliza ou alimenta diversos tipos de violência física e psicológica, entre as quais o estupro. Diante dos acontecimentos atuais, é importante, a discussão acerca do combate a cultura machista e do estupro vem sendo discutida.

O Brasil apresenta essa herança cultural patriarcal fortemente perceptível no dia-a-dia. No período colonial a mulher ficava submissa a regras que limitavam seu modo de agir e se comportar. No entanto, havia uma clara hierarquia social, por exemplo, a sociedade escravagista tolerava o estupro de negras escravas e índias por senhores de engenho. As marcas dessa hierarquia da sociedade colonial prevalecem até hoje quando 51% das vítimas são negras ou pardas, segundo o IPEA ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Outrossim, há a culpabilização da vítima reforçada pelas heranças patriarcais e machistas, o que inibe as denúncias, somado a isso há a falta de preparo das autoridades responsáveis por escutar e dar seguimento à denúncia. As estatísticas do IPEA demonstram que apenas 10% de todos os crimes de violência sexual são denunciados, ou seja, 90% não chega ao conhecimento das autoridades e ,muitas vezes, nem das pessoas próximas à vítima.

É de suma importância o combate a essa cultura patriarcal e machista desde cedo, através da educação- infantil à superior - nas escolas e universidades, por meio de campanhas promovidas pelo Ministério da Educação para incentivar a igualdade de gênero e o respeito do homem para com as mulheres. Por fim deve-se realizar uma preparação das autoridades que recebem essas denúncias e ampliar o número de delegacia da mulher para facilitar o contato vítima-delegada, pelo governo junto à Secretária de Segurança dos estados.