É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 24/08/2020
A cultura do estupro existe desde os primórdios da humanidade. No Brasil, há registros desde a colonização de violência sexual cometidas por europeus colonizadores contra africanas e índias, que se tornavam suas escravas sexuais. Há pessoas que acreditam sim que o primeiro brasileiro miscigenado fora fruto de um abuso de um homem português contra uma índia ao chegarem nas terras. Essa cultura do estupro não só existe como está enraizada na história do País como está na linhagem do brasileiro.
Primeiramente, é importante ressaltar que todo esse sofrimento e violência é culpa do machismo entranhado na sociedade, a maneira como ele faz com que a mulher seja enxergada e tratada, um objeto, uma serva do homem, submissa a sua vontade que tem como propósito satisfazer as vontades de seu marido e procriar. As pessoas pensam que esses estupradores tem algum distúrbio mental, mas grande parte vivem bem, em comunidade, como pessoas normais e não apresentam nenhum distúrbio. Entretanto, atualmente com todas as leis criadas, nem todos os criminosos saem impunes como antes, mas isso não quer dizer que a violência sexual tenha deixado de existir e isso é um problema.
Uma prova do quão o machismo influencia na sociedade é que um enorme grupo de pessoas ainda atribui a vítima a culpa por ter sido violentada, assim como parte da população brasileira diz acreditar que mulheres que se dão ao ‘‘respeito’’ não são estupradas. Ou seja, além de ter que lidar com todo o sofrimento, a vítima ainda tem que lidar com o julgamento alheio ou até dentro de casa. No Brasil, em 2018 foi o maior índice registrado. Ocorreram 66.041, ou seja 180 estupros por dia no país, 81,8% do sexo feminino, sendo que 53,8% das vítimas tinham menos de 13 anos de idade.
Portanto, é um número assustadoramente grande de crianças e mulheres que carregarão marcas, medos, traumas e até mesmo raiva pelo resto de suas vidas, traumas físicos, psicológicos e emocionais. Alguns filmes retratam o drama vivido por alguém que sofreu esses tipos de abuso, como em ‘‘Doce Vingança’’ onde a protagonista desenvolve raiva e sede de vingança contra seus agressores, ou em Coringa, onde o protagonista descobre que adquiriu os atuais problemas mentais por culpa de abusos sofridos em sua infância, cometidos por seu padrasto antes que o mesmo fosse preso.
Por isso, medidas são necessárias para resolver esse impasse. A melhor maneira de prevenir ou ter certeza que denúncias seriam feitas é liberando o acesso a educação sexual nas escolas tanto pública quanto privada, criando ONGs que se encarreguem de tratar do psicológico e emocional dessas pessoas que sofreram uma violência desse tipo ou qualquer outro, desconstruir com a educação e informação o machismo nessa e nas próximas gerações, tratar das leis com mais vigor, melhorando assim a segurança pública para que outros não passem pelo mesmo terror.