É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 06/09/2020
Segundo a mitologia grega, Medusa era uma jovem e bela sacerdotisa do templo de Atena que foi estuprada pelo deus Poseidon dentro do santuário, provocando a ira da deusa, que se vinga lançando uma maldição sobre sua serva. Tal episódio não se distância da realidade vivida por muitas mulheres no Brasil, pois é notório a persistência da cultura do estupro – um comportamento que pune as vítimas de violência sexual, enquanto normaliza a ação dos agressores. Isso ocorre devido a insuficiência de políticas públicas, além de costumes e ideais errôneos historicamente enraizados na sociedade brasileira.
A priori, vale ressaltar que segundo o Código Penal Brasileiro, o estupro é considerado crime hediondo, com pena de 6 a 10 anos de reclusão. No entanto, somente isso não é o suficiente para impedir que crimes de violência sexual sejam cometidos, já que segundo a Folha de São Paulo, somente no ano de 2018 o Brasil contabilizou o espantoso número de cerca de 180 estupros por dia, correspondendo a um total de 66 mil casos por ano. Indiscutivelmente, os dados apresentados revelam a urgência de ações governamentais mais resolutivas, visto a ineficácia das intervenções existentes.
Outrossim, é notório o comportamento predominantemente machista na sociedade brasileira, uma vez que a cultura do país sofre influência de diversos países que “cultuam” a masculinidade. Sobre isso, uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão revela que 67% dos participantes consideram que crimes de violência sexual acontecem porque o homem não consegue controlar seus impulsos sexuais. Pensamentos como esse fortalecem a ideia de vitimização do agressor, tornando a vítima culpada por provocar a violação de seu próprio corpo. Tal concepção é notoriamente incorreta e por isso deve ser desconstruída.
Infere-se, portanto, que a cultura do estupro é um problema social a ser combatido. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, desenvolver ações que visem o combate à problemática em questão. Para isso, poderiam ser ministradas palestras em escolas e postos de saúde por profissionais qualificados sobre o tema, além de campanhas nas mídias sociais, como as redes sociais e televisivas, com a finalidade de incentivar a denúncia de tais crimes, bem como desconstruir pensamentos machistas. Dessa forma, garante-se que histórias como a de Medusa não se repitam na sociedade brasileira.