É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 16/09/2020

A cultura do estupro é caracterizada pela normalização e banalização da violência sexual na sociedade atual. Prova disso é que, no Brasil, por exemplo, segundo o Fórum de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma pessoa é violentada sexualmente. Nesse contexto, como o combate a essa cultura é imprescindível, observa-se que a educação sexual e o apoio à vítima podem minimizar essa problemática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que, no Brasil, por exemplo, de acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Nesse contexto, como o crime é comumente praticado por familiares, a educação sexual minimiza esse problema por ensinar, desde cedo e com abordagens apropriadas para cada faixa etária, conceitos de autoproteção, consentimento e integridade corporal. Assim, a criança e o adolescente tornam-se conscientes da diferença entre toques agradáveis e invasivos, o que as predispõem a relatar caso ocorra algum evento semelhante.

Em segundo plano, observa-se que a subnotificação caracteriza os cenários de violência sexual considerando que, segundo o IPEA, apenas 10% dos casos são notificados no Brasil. Esse dado revela que a violência sexual ainda é caracterizada por sentimentos de vergonha e medo, o que minimiza a denúncia e consequente punição dos criminosos. Assim, é evidente que o apoio e o suporte às vítimas de violência sexual fazem diferença no combate a cultura do estupro por torná-las conscientes dos seus direitos e aptas a denunciar. Exemplo disso foi a denúncia de uma única ginasta olímpica, dos EUA, que encorajou outras 125 atletas a denunciarem a violência sexual praticadas todos pelo mesmo médico, Larry Nassar.

Conclui-se, portanto, que a educação sexual e o apoio à vítima podem minimizar a cultura do estupro. Assim, é importante que o Governo desenvolva uma infraestrutura capaz de identificar e dar o suporte necessário às vítimas de estupro. Isso por meio da introdução da educação sexual nas escolas, com a literatura infanto juvenil destinadas a esse ensino, por exemplo, para que as crianças desenvolvam noções de integridade corporal e autoproteção, tornando-as suscetíveis a relatar algum tipo de abuso.