É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 15/09/2020
No livro Casa Grande e Senzala, Gilberto Freyre mostra o surgimento da sociedade patriarcal brasileira em que os senhores de engenho possuíam as terras, os escravos e por consequência as mulheres. Por esse motivo o sexo feminino é colocado em posição de inferioridade desde a colonização do país, prática que contribuiu para o surgimento de anomalias sociais como o machismo estrutural e cultura do estupro as quais possuem ligação direta com os crimes sexuais. Por conta disso, evidencia-se que a repressão social sofrida pelas mulheres é um dos principais motivos dos casos de violência sexual e por isso essa prática deve ser combatida.
Em primeiro plano é importante destacar a influência que o machismo estrutural possui no acontecimento de crimes sexuais, o qual faz que a mulher seja vista como objeto sexual por grande parte dos homens, desconsiderando sua capacidade de realizar qualquer tarefa do âmbito intelectual individualmente. Prova disso, são os comerciais de bebidas alcoólicas que trazem mulheres hipersexualizadas como musas da marca, essa prática incita o pensamento de objetificação da mulher e consequentemente o acontecimento de crimes sexuais. Visto isso, evidencia-se que o machismo no Brasil é estrutural e que este tem ligação com os ataques libidinosos realizados por homens em mulheres.
Em segundo plano é válido dizer que a cultura do estupro é fruto do machismo estrutural brasileiro, o extremo dessa anomalia social que segue desde a colonização. Segundo dados do IPEA- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada- 90% dos agressores em crimes sexuais são do sexo masculino, fato que comprova que a masculinidade tóxica praticada por grande parte dos homens gerou a cultura do estupro e esta deixa marcas na vida de inúmeras mulheres no país, como o caso da menina de dez anos vítima de violência sexual pelo tio no Espírito Santo. Logo, é de suma importância a compreensão da gravidade das práticas opressoras masculinas e seus efeitos na vida das mulheres.
Infere-se, portanto, que o machismo estrutural e a cultura do estupro são os principais agentes dos crimes sexuais sofridos pelas mulheres, então esses devem ser combatidos. E por isso deve ser efetuada a quebra dos paradigmas que colocam a mulher em posição de inferioridade, pelas escolas brasileiras - responsáveis pela formação educacional e social dos indivíduos- através de rodas de bate-papo com especialistas trabalhando na desconstrução de paradigmas machistas da sociedade, de forma lúdica e descontraída, a fim de trazer novos costumes sociais amenizando a cultura do estupro e consequentemente os crimes sexuais, para a integração da mulher. Agindo assim, as opressões relatadas por na obra de Gilberto Freyre serão reduzidas