É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 18/09/2020
A série “The Handmaid’s Tale”, mostra um regime autoritário, onde as poucas mulheres férteis são privadas da sua liberdade. Tais mulheres são levadas para uma família onde durante seu período fértil são estupradas, esses abusos são “justificados” porque, segundo a sociedade elas são pecadoras que merecem ser castigadas. Infelizmente a ficção não se destoa da realidade, visto que a cultura de estupro no Brasil persiste. Muitos tentam normalizar o estupro como resultado do comportamento da vítima, assim como em “The Handmaid’s Tale” e por consequente são poucas as pessoas que denunciam seus abusadores.
Em uma primeira análise, um pensamento amplamente compartilhado é que, o comportamento da mulher em determinadas situações justifica os assédios e o estupro. A historia do estupro é longa no Brasil, desde o inicio da colonização o homem branco estuprou as indígenas e posteriormente as mulheres negras escravizadas, nesses casos elas eram vistas como propriedades. Apesar da escravidão já ter sido abolida, a ideia de que a mulher é uma propriedade a serviço do homem ainda se faz presente. Os papéis de gênero são definidos, onde a mulher deve ser bela, recatada e do lar e as que romperem com esse pensamento merecem uma espécie de punição social, o estupro.
Como consequência dessa estrutura, muitas vítimas se enxergam realmente como culpadas e não denunciam seus abusadores. Em 2013, o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Publica apontou que em 2012, foram notificados 50 mil casos de estupro no Brasil, porém estima-se que esses são apenas 10% dos casos. Sendo assim, observa-se que são poucas as vezes onde a pessoa denuncia, muitos fatores contribuem pra isso, o sentimento de culpa da vítima, o silêncio da família, a descredibilização das acusações por alguns policias são exemplos. Desta forma faz-se necessário atitudes para alterar o quadro atual.
Diante do exposto,é imprescindível o combate á cultura do estupro. Para que a subnotificação dos casos de estupro diminua urge que o Ministério da Mulher da Família e do Direitos Humanos, divulgue vídeos, textos e comerciais, por meio das redes sociais e televisão aberta. Esse conteúdo deve instruir e alerta a população a não normalização do estupro ou qualquer outra forma de objetificação e violência contra a mulher. Além disso o Estado precisa por meio de um projeto de lei, determina que todas as acusações de estupro devem ser rapidamente investigadas. Somente assim o atual cenário será minimizado e se afastará da ficção “The Handmaid’s Tale”.