É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 25/09/2020
No filme “Doce vingança”, é retratada a história de uma escritora que, após alugar uma casa de campo é agredida e estuprada por um grupo de homens da região. Fora da ficção, observa-se, na atualidade, realidade análoga à abordada no longa: a cultura do estupro ameaça a vida das mulheres e condena o público feminino a uma atmosfera de medo e violência. Dessa forma, deve-se entender como o patriarcalismo e a fragilidade das leis contribuem para a problemática em questão e como resolvê-la.
Em primeira análise, cabe abordar como o patriarcado estimula a cultura do estupro na atualidade. Isso porque, segundo o Físico Albert Einstein, é mais fácil dissipar um átomo do que por fim a um preconceito. Tal perspectiva, faz-se assertiva nos dias atuais: desde os primórdios das colonizações a dominação patriarcal estereotipou as mulheres como objeto sexual e de posse masculina. Em decorrência disso, o preconceito com o gênero feminino permeia o tempo, como previsto por Einstein, e as mulheres permanecem até a atualidade violadas e objetificadas por homens que baseiam seu comportamento nos exemplos patriarcais misóginos enraizados na sociedade.
Ademais, outro fator que contribui para o fortalecimento da cultura do estupro na atualidade é a fragilidade das leis. Nesse sentido, o filme, “Silêncio do Céu” traz a tona a história de uma jovem que após ser estuprada omite o caso por não confiar que a justiça puniria os agressores. Paralelamente, a atualidade assemelha-se à obra: a ausência de leis que garantam a punição efetiva de estupradores e a proteção das vítimas faz com que muitas mulheres omitam-se por medo. Consequência disso, os criminosos, certos da impunidade, são encorajados a violentar outras pessoas e as mulheres são condenadas a sofrerem caladas em um ciclo interminável de tortura física e psicológica.
Fica claro portanto, a necessidade de um debate a nível internacional sobre o tema. No Brasil, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabelecer soluções para a problemática. Para isso, o treinamento de profissionais que ministrem, nas escolas, palestras aos alunos e familiares com a temática da importância de combater o patriarcado e a dominação de gênero é fundamental. Além disso, a criação de delegacias voltadas especificamente para lidar com crimes de estupro, a fim de assegurar investigações e punições severas para o delito e atender as vítimas de forma acolhedora e segura é indispensável. Dessa forma, será possível impedir que preconceitos de gênero permeiem o tempo, como previsto por Einstein, assegurar proteção e segurança às mulheres do país e impedir que situações como a retratada em “Doce vingança” repitam-se no Brasil.