É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 06/10/2020

O filósofo francês Claude Lévi-Strauss defende que só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Ainda que a cultura do estupro esteja fortemente presente no século XXI, nota-se raízes intrínseca na história brasileira. Nesse contexto  percebe - se a configuração de um grave problema, cuja resolução é dificultada em virtude da lenta mudança da mentalidade social  e impunidade dos casos.

Convém ressaltar, a princípio, que  a lenta mudança da mentalidade social , acarretada também pelo legado histórico ,  é um fator determinante para persistência do impasse . Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa perspectiva, é possível ver que a questão do estupro é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que , pensamentos arcaico, de culpabilização e normatização do constrangimento sexual sofrido pela mulher são replicados em diversos meio sociais, dificultando a resolução e ocasionando receio de denunciar.

Além disso, cabe ressaltar que a impunidade também é um forte empecilho. De acordo com Carlos Lacerda  a impunidade gera a audácia dos maus. Desse modo, tem-se como consequência a prevalência  de insegurança coletiva e desconfiança na justiça, o que ,gera também a diminuição dos casos de denúncias, o IPEA estima que os dados oficiais apresentem apenas 10%  dos casos ocorrido, o que torna sua solução mais complexa.

Portanto, para que a cultura do estupro deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Para esse fim, é necessário  que o ministério da saúde e o ministério da justiça, realizem duplamente ações de punições e atendimentos psicológicos aos agressores e as vítimas. Enquanto este se daria em postos de saúde  por meio de acompanhamento de um profissional especializado, aquele aconteceria por meio de agilização dos processos já abertos, a fim de que o cenário de impunidade seja modificado.