É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 10/10/2020
O filme “Preciosa - Uma História de esperança” conta a história de Claireece “Preciosa” Jones, uma jovem de 16 anos, que está grávida de seu próprio pai pela segunda vez e que é constantemente acusada, por sua mãe, de ser a culpada por tais atos. Fora da ficção, muitas adolescentes passam pelas mesmas circunstâncias que Preciosa, devido à cultura de estupro existente no Brasil e no mundo, onde colocam a culpa nas mulheres e acabam por vitimizar os verdadeiros culpados.
Em primeiro lugar, dados do Disque 100 mostram que nos primeiros quatro meses de 2019 foram registradas 4,7 mil denúncias de abuso sexual contra menores de idade. Além disso, é relatado que mais de 70% dos casos ocorrem dentro de casa, ou seja, os abusadores são familiares da vítima. Conforme outras pesquisas sobre o assunto, como a da socióloga Saffioti, realizada em 1997, os maiores vilões são pais e padrastos, o que torna a situação ainda mais repugnante.
Entretanto, muitas vezes, a violência sexual, em que o abusador é da família, não é denunciada, por conta de vários fatores. Medo é um dos mais recorrentes, tanto de não acreditarem, quanto do próprio agressor. Porém, o sentimento de culpa acaba sendo o fator principal, pois a vítima acaba criando motivos para que isso tenha acontecido e por conta do machismo, acredita ter relação com suas roupas e seus modos. No entanto, sendo maior ou menor de idade, a vítima nunca é a culpada.
Portanto, conclui-se que é de suma importância que o Ministério da Educação, juntamente com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), desenvolva uma lei em que a educação sexual seja uma matéria obrigatória em todas as escolas, sejam elas particulares ou públicas. Pois, com o ensino adequado sobre o próprio corpo e a imposição correta de certos limites, o país só tende a se desenvolver e acabar com a cultura de estupro que prejudica a saúde física e metal de milhares de mulheres todos os dias.