É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 10/10/2020

Em um episódio do seriado norte-americano “One Tree Hill”, a personagem Peyton é retratada sendo dopada por um rapaz, que logo em seguida tenta estuprá-la. Fora das telas, a realidade vivenciada não é diferente, já que a cultura do estupro persiste no mundo e na sociedade brasileira. Isso ocorre, dentre tantos outros fatores, pela objetificação do corpo feminino e pela reprodução de piadas machistas e misóginas. Assim, cabe ao Governo combater essa problemática.

Em um primeiro momento, vale ressaltar que a publicidade brasileira corrobora para a cultura do estupro ao expor corpos femininos de forma sexualizada a fim de atrair o público consumidor. A propaganda da cerveja Itaipava, por exemplo, traz a “Verão”, uma mulher de biquíni que aponta para as quantidades de 350mL (que indica o volume da  garrafa de cerveja) e 600mL, que corresponderia ao volume de seu silicone. O slogan mostra ainda a frase “faça a sua escolha”. Comerciais como esse reafirmam o corpo feminino como mero objeto e desconsideram seu emocional ao estereotipar sua imagem.

Ademais, a reprodução de piadas machistas também influencia nessa adversidade. Esse tipo de conteúdo é comum à Internet, e são poucos que de fato refletem quanto à seriedade dessas postagens. Em suas redes sociais, o apresentador Danilo Gentilli chamou de “gênio” um homem acusado de embebedar e então estuprar uma jovem inconsciente. Esses conteúdos extremamente misóginos mascarados de “piada” alcançam muitos internautas, e contribuem para que as pessoas normalizem e achem cômico diversas situações machistas vivenciadas pelas mulheres todos os dias. Dessa forma, as atitudes invasivas de agressores são impunes, pois não são problematizadas pela sociedade.

Logo, medidas são necessárias para o combate à cultura do estupro. Para tal, o Ministério da Educação deve, em parceria com as escolas municipais, promover debates em ginásios públicos com a participação de psicólogos, professores e ONGs voltadas à defesa da mulher, a fim de alertar a comunidade quanto ao compartilhamento de frases e piadas machistas nas redes sociais, e ensinar como identificá-las e denunciá-las. Ainda, o MEC deve produzir, apoiado pelas mídias regionais, vídeos, panfletos e documentários que apontem as problemáticas fomentadas pelo consumo de publicidade machista que sexualiza a mulher. Dessa forma, situações como a vivenciada pela personagem Peyton não serão presenciadas.