É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 04/11/2020

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Contudo, nota-se que esse ponto de vista filosófico é constantemente contrariado no Brasil, pois a cultura do estupro ainda persiste na sociedade e os esforços para reverter essa situação são insuficientes. Assim, evidencia-se a configuração de uma problemática, em virtude da falta de empatia e da impenitência presente na questão.

Antes de tudo, a ausência de apoio às vítimas ocorre frequentemente. Nesse sentido, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse contexto, as pessoas violentadas, diversas vezes, não encontram apoio das pessoas em seu entorno, dado que a população, diversas vezes, trata as mulheres estupradas como culpadas em detrimento aos transgressores, uma vez que a sociedade atual baseia-se no patriarcado, o qual prega que os homens devem ter privilégios sociais e ditar a moral. Além disso, diversas vertentes retratam isso, como os meios de entretenimento que representam elas como seres indefesos e subjugados aos homens.

Ademais, os criminosos, continuamente, saem impunes desses crimes. Dessa forma, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, as pessoas violentadas têm receio de realizar o ato da denúncia, visto que até mesmo os casos denunciados dificilmente são julgados e os agressores permanecem livres para realizar novos atos e criam esse ciclo vicioso de impetuosidade. Ainda, de acordo com dados divulgados pelo Ipea, 70% dos estupros são cometidos por pessoas próximas. Então, esse levantamento demonstra que esse problema está presente no ambiente doméstico, o que torna ainda mais difícil para as vítimas acusarem os violentadores.

Infere-se, portanto, que é imprescindível lutar contra esses comportamentos retrógrados. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, juntamente ao apoio das entidades policiais, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa de assistência às vítimas desses atos criminosos. Logo, Esse programa ouviria as vítimas e passaria as informações para a polícia civil rastrear os infratores, além de ofertar ajuda psicológica e explicar a situação para os familiares dessas pessoas para que haja conscientização de que nunca é culpa da pessoa que sofre a violência, como também estimular a denúncia desses casos. Em síntese, a partir dessas ações, essa cultura poderia começar a ser combatida na nação.