É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 04/11/2020

Funcionando conforme a primeira lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando de percurso, a cultura do estupro é um problema. Com isso, ao invés de agir como a força capaz de mudar esse movimento, o ato de não acreditar na vítima e o de culpá-la contribuem para que esse movimento permaneça de forma errônea. Entretanto, é imprescindível o combate à cultura do estupro.

É relevante abordar, primeiramente, que um dos fatores para que esse problema continue é não acreditar nas vítimas de estupro. Esse fator é visto no caso da blogueira brasileira Mariana Ferrer, que mesmo apresentando todas as provas de seu estupro, foi humilhada pelo juiz e advogados, que não acreditaram nela e ainda a culparam por isso. Por esse motivo, muitas vítimas de estupro não relatam o ocorrido por medo de serem julgadas e desacreditadas, prova disso, são os dados da revista Super Abril, a qual aponta que 90% das vítimas de abusos sexuais não falam sobre o acontecido com ninguém. Em suma, desacreditar na vítima do estupro colabora para que a cultura do estupro persista.      Ademais, outro agente que fomenta para que esse trajeto continue de maneira errada é culpar as vítimas pelo abuso sexual. Tal agente é notório na série ‘‘Inacreditável’’, a trama conta a história de uma jovem vítima de estupro, que ao relatar aos policiais e familiares, é culpada pelo acontecimento. Fora da série, essa é a realidade de muitas mulheres, as quais são culpadas pelo próprio abuso, seja pela vestimenta ou comportamento, como é o caso da blogueira Mariana Ferrer. Seguindo essa linha de pensamento, o estuprador muitas vezes sai impune do crime, já que a culpa é colocada na mulher violentada. Logo, é inquestionável a contribuição da atitude de não crer na vítima e culpá-la na dificuldade de combater à cultura do estupro.

Evidencia-se, portanto, que essa problemática permanece no mesmo caminho, impactando na vida de muitas mulheres. Nesse viés, cabe ao Ministério da Mulher, por meio de propagandas e campanhas, informar e divulgar número para denúncias de abuso sexual, com o auxílio das redes sociais, também deve passar a ideia de que a culpa nunca é da vítima, independente da roupa, maquiagem ou comportamento, e com ajuda de projetos, tem de estimular as denúncias dos atos de estupro, a fim de que ao contrário do que ocorreu com Mariana, as mulheres sejam ouvidas e não se sintam culpadas, como na série ‘‘Inacreditável’’. Somente assim, haveria o combate à cultura do estupro e o percurso citado por Newton seria mudado.