É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 12/11/2020

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão a realidade do Brasil, ainda que a luta feminina tenha ganhado um maior destaque na sociedade, em razão do reconhecimento perante sua importância, ainda assim existem obstáculos a serem superados. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito da vulnerabilidade das mulheres, em função do machismo existente, bem como o comportamento obsolete baseado na inferiorizarão feminina acaba por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, é indubitável que a vulnerabilidade das mulheres é fragilizada desde o Período Colonial, uma vez que as mulatas eram abusadas sexualmente pelos proprietários de terra, sem qualquer consentimento. Em consonância aos dias atuais, essa realidade se faz presente, além de ser um problema que culpa a mulher pela violação sofrida. Um exemplo, ocorreu com uma jovem de 16 anos, que foi violentada por, pelo menos, 30 homens, em uma comunidade no Rio de Janeiro. A princípio, ainda que extremamente brutal, houve comentários pelas redes sociais, como: “mereceu”, “quem mandou sair assim”. Por fim, é evidente que o machismo se instala fortemente, tendo em vista uma luta constante para superar esse problema.

Sob um segundo enfoque, para o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada, a fim de que o equilíbrio seja alcançado. Analogamente, sabe-se que no Brasil, a falta de políticas públicas para crimes de estupro rompe com essa harmonia, uma vez que sua inexistência fortalece a naturalização desse ato, que por sinal inferioriza a mulher. No entanto, é preciso que essa realidade se distancie dos aspectos históricos, para que o reconhecimento da voz feminina seja priorizado.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, projetos nas escolas de rede pública, sendo administradas por profissionais psicólogos, para que seja trabalhado com os alunos acerca do respeito com o próximo, a fim de aumentar o empoderamento feminino frente aos problemas de interiorização. Além disso, cabe ao Governo, impor estabelecimentos direcionados para casos de estupro, com penas adequadas para os criminosos, a fim de motivas as mulheres a denunciar qualquer tipo de violação. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo a garantir uma perspectiva de mundo melhor.