É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 20/11/2020

No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie alega que “o problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos”, que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Nesse sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções são necessárias.

Primeiramente, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Mesmo que o Feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriarcalismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, direito de ir e vir e empoderamento. Desse modo, os ideias conservadores se sobrepõem à realidade. Em 2016, a revista Veja entrevistou a esposa do vice-presidente Michel Temer, em uma reportagem intitulada “bela, recatada e do lar”. Tal chamada unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que fogem a esse padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.

Além disso, o assédio agora é banalizado e as redes sociais tornaram-se uma ferramenta para combatê-lo. Nas ruas, nas festas, no trabalho e até em casa, cantar, puxar os cabelos e tentar vitimar uma vítima de violência sexual são ações que se tornaram naturais, assim como o cotidiano de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultos na luta contra a impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Avisa quando eu chegar” e “Vamos juntos?” eles visitam o Facebook e o Twitter para condenar a perseguição, trocar experiências e chamar a atenção da mídia e das pessoas para deter esse mal.

Portanto, a cultura de assédio se solidificou na sociedade brasileira. A fim de alterar o olhar machista, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com impacto apelativo, devem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do abuso, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O Governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação, dessa forma garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.