É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 30/11/2020
De acordo com Carlos Drummond de Andrade, ‘‘Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra’’. Esse poema associa-se metaforicamente a um problema atual, a cultura do estupro, a qual funciona como um entrave para a população, isso é devido a normalização de atitudes sociais advindas do enraizamento de ideias patriarcais. Com isso, é imprescindível abordar o porque isso ocorre e mitigar essa problemática.
Em primeira análise, a cultura do estupro é como é designado um ambiente que banaliza, legitima e justifica a violência sexual. Nesse contexto, as propagandas de cervejas, é um bom exemplo disso, pois retratam a imagem da mulher sempre como figura submissa e alvo de desejo sexual dos homens. Assim, nota-se que essa “cultura’’ esta presente no dia a dia da vida dos cidadãos, e sua normalização favorece ainda mais para que a violência sexual aconteça. Para exemplificar, de acordo com o Anuário de Segurança Pública do Brasil, só no ano de 2019, foram registrados mais de 69 mil casos de estupros no país.
Outrossim, o patriarcalismo é o principal impulsionador para o fortalecimento da cultura de assédio no Brasil, uma vez que é um sistema social existente desde o período colonial, em que os homens controlavam toda a liderança e as mulheres eram subordinadas a cuidar do lar e dos filhos. Assim, as condutas morais de como uma mulher deve ou não se comportar, vestir e ser, foram condicionas sob essa ótica de dominação masculina. Devido a esse contexto, a vítima é, muitas vezes, vista pelo corpo social como a própria culpada pelo atos de violência, como ocorreu em 2016 no Rio de Janeiro, onde uma jovem foi violentada por cerca de trinta homens, e a reação da população não foi de indignação mas de julgamento e de culpabilização da vítima, pois segundo eles ela simplesmente não deveria estar ali. Desse modo, nota-se que a estrutura cultural da violência sexual é fruto do poderio masculino exercido sobre o feminino, e a forma com que a sociedade de um modo geral, enxerga isso com naturalidade. Sendo, portando, imprescindível mitigar esse imbróglio.
Por tudo isso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, trazer nas escolas aulas temáticas com palestras e atividades educativas a respeito do machismo e seus males para a sociedade, com o intuito de formar cidadãos conscientes e intolerantes ao desrespeito. Posto isso, será possível combater a conivência da cultura do estupro a qual funciona como ‘‘pedras’’ para o desenvolvimento da população. Ademais, é dever do corpo social, realizar denúncias sempre que ver alguma pessoa em situação de abuso, isso deve ser feito através do Disque Denúncias. Sendo assim, será possível diminuir os índices de violência sexual no Brasil e acabar com a sua normalização.