É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 03/12/2020
No livro “Brasil: País do futuro” o autor, Stefan Zweig, cita entre seus achismos sobre a população brasileira que são deveras igualitários. Entretanto, quando se observa a questão da cultura do estupro no brasil, é notório que a hipótese do escritor não se confirma. Tal situação é resultado de práticas negligentes e patriarcais, como a iniquidade da justiça com mulheres e o abuso velado.
Diante desse cenário, a compreensão de que o machismo enraizado, junto à políticas estatais desmazeladas, alicerça o aumento de abusos sexuais no Brasil. Segundo o artigo 5º da Constituição Federal: Todos são iguais perante a lei, todavia, a desigualdade de gênero dentro de violência sexual contra mulheres, fica evidente o favorecimento de homens. Essa realidade decorre do fato de que uma sociedade com um patriarcalismo estruturado tende, geralmente, a acreditar e auxiliar homens mais do que mulheres. Prova disso é o documentário “Inacreditável”, baseado em fatos reais, que expõe o relato de uma jovem violentada sexualmente, e mesmo com diversas provas - DNA do estuprador, filmagens -contra seu agressor, a justiça absolvia o criminoso.
Ademais, é crucial pontuar a violência maquiada. Uma das consequências de uma sociedade com o patriarcalismo estrutural é uma submissão feminina em relação aos homens, sendo assim, muitos casos de abuso não chegam a ser relatados por medo de julgamentos, vergonha ou até mesmo pelo abusador se tratar de um conhecido pela vítima. Exemplo disso, é o levantamento da Polícia Militar que aponta que nove em cada dez casos de estupro são cometidos por conhecidos das vítimas.
Portanto, devem ser medidas para combater a cultura do estupro no Brasil. O Ministério da Justiça deve aumentar a fiscalização de leis que protegem mulheres, por meio de um projeto de lei entregue à câmara, como a instalação de câmeras em ambientes públicos, dar prioridade prioritariamente ao relato da vítima, com capacitar de aumentar a eficácia de leis já existentes sobre abusos sexuais. Além da mídia, como principal propagadora de informação, orientar e conscientizar sobre a importância da denúncia e incentivar como causar a denunciar seus agressores. Assim, será alcançada uma sociedade igualitária como Zweig previu.