É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 07/01/2021

Ainda hoje, a sociedade brasileira perpetua ideias de que o homem deve ser “pegador” e de que a mulher deve ser submissa e comportada. Por isso, quando uma mulher tem atitudes que fogem dos padrões impostos, como beber ou usar roupa curta, alguns homens se sentem no direito de desrespeitá-las, e, muitas vezes, elas são vistas como culpadas, o que ilustra a chamada “cultura do estupro”.  Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circustância, que é ainda agravada tanto pelo descaso das instituições sociais e de setores da impresa quanto pela ineficácia de ações políticas.

Em princípio, é importante pontuar que a falta de diálogo social sobre crimes sexuais agrava o problema no Brasil. Isso decorre, principalmente, pelo fato de a sexualidade ser vista como um tabu, o que leva muitas famílias e outras instituições sociais a se omitirem no repasse de informação acerca do tema. Assim, muitas mulheres crescem sem orientação de como lidar com esse tipo de crime e sem conhecer a importância da denúncia, o que é evidenciado por uma matéria veiculada na revista Superinteressante, que mostrou que muitos casos de estupro não são denunciados porque a vítima se sente culpada. Nesse sentido, verifica-se que há muita negligência acerca da segurança da mulher por parte dos brasileiros.

Ademais, a objetificação do corpo feminino por setores empresarias é um grande empecilho para a extinção da cultura do estupro, assim como a falta de ações políticas para evitá-la. Tal objetificação tem como motivação o fato de que o uso do corpo feminino em peças publicitárias gera lucro, e, como consequência, as mulheres se tornam apenas corpos dos quais os homens podem “ser donos”. Com isso, a sociedade normaliza a sexualização da mulher, o que contribui para que assédios sejam também normalizados. Logo, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver essa questão no Brasil.

Portanto, a fim de consolidar uma mentalidade social que repudie a cultura do estupro, compete a mais famílias e escolas, como instituições fundamentais para a formação psicossocial de crianças e adolescentes, ampliar, por meio, respectivamente, de diálogos domésticos e cartilhas educativas, a necessária preocupação com a segurança feminina. Além disso, cabe ao Governo Federal combater a objetificação feminina em peças publicitárias, por meio de parcerias com o setor empresarial. Assim, será possível garantir o fim da cultura do estupro no Brasil.