É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 11/01/2021
Ainda hoje, a sociedade brasileira perpetua ideias de que o homem deve ser conquistador e viril, e de que a mulher deve ser submissa e comportada. Por isso, quando uma mulher tem atitudes que fogem dos padrões impostos, como beber ou usar roupa curta, e é vítima de um crime sexual, a sociedade a culpa, o que ilustra a chamada “Cultura do estupro”. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância, que é agravada tanto pela falta de debate social quanto pela ineficácia de ações políticas que combatam a objetificação feminina por setores empresariais.
Em princípio, é importante pontuar que a falta de diálogo social sobre crimes sexuais agrava o problema no Brasil. Isso decorre, principalmente, pelo fato de a sexualidade ser vista como um tabu, o que leva várias famílias e outras instituições sociais a se omitirem no repasse de informação acerca do tema. Assim, diversas mulheres crescem sem orientação de como lidar com esse tipo de crime e sem conhecer a importância da denúncia, o que é evidenciado por uma matéria veiculada na revista Superinteressante, que mostrou que muitos casos de estupro não são denunciados porque a vítima se sente culpada. Nesse sentido, verifica-se que há muita negligência acerca da segurança da mulher por parte das instituições sociais.
Ademais, a falta de políticas públicas que combatam a objetificação do corpo feminino por setores empresariais é um grande empecilho para a extinção da cultura de estupro. Prova dessa debilidade são as inúmeras propagandas que fazem uso do corpo feminino para chamar atenção do público-alvo, principalmente quando este é masculino, como as publicidades de marcas de cervejas e de automóveis. Com isso, a sociedade normaliza cada vez mais a sexualização da mulher, o que contribui para que assédios sejam também normalizados. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, a fim de consolidar uma mentalidade social que repudie a cultura do estupro, compete a mais famílias e escolas, como instituições fundamentais para a formação psicossocial de crianças e adolescentes, ampliar, por meio, respectivamente, de diálogos domésticos e cartilhas educativas, a necessária preocupação com a segurança feminina. Além disso, cabe ao Governo Federal combater a objetificação feminina em peças publicitárias, mediante parcerias com o setor empresarial. Dessa forma, finalmente, o Brasil terá grande avanço na questão do combate à cultura do estupro.