É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 18/03/2021

A série 13 Reasons Why retrata a vida de uma adolescente que sofreu abuso sexual, que passa a ter problemas psicológicos e esconde de todos a agressão que vivenciou. Fora da ficção, esse é um cenário muito presente na sociedade, em que a cultura do estupro vem ganhando espaço. Nessa perspectiva, observa-se que as práticas machistas e a pressão psicológica sobre a vítima são fatores que permanecem juntos, impedindo a erradicação da violência.

Deve-se pontuar de início, que o principal problema relacionado à violação sexual está ligado à desigualdade de gênero. Uma vez que, a mulher sempre foi vista como um ser inferior perante ao resto da sociedade em que seus direitos e poder de escolha são deixados de lado, passando então, a não ter um local de fala. Além disso, o corpo feminino sempre foi visto como objeto sexual, tendo função apenas de satisfazer os desejos mundanos, muitas vezes, mesmo sem o seu consentimento. Devido essa cultura machista enraizada na sociedade os índices de violência só vem crescendo, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, em 2019 foram registrados, ao todo, 17 mil ocorrências dessa natureza, sem contar aqueles casos que permanecem em sigilo, devido ameaças ou até mesmo por ninguém acreditar na vítima.

Nessa perspectiva, após a violência sofrida, muitas marcas são deixadas na vítima, principalmente em seu psíquico, em grande parte dos casos, as mulheres ainda sofrem pressão psicológica por parte do agressor, sendo obrigadas a manter tudo que aconteceu em segredo. De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, ninguém deve ser obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Porém, nota-se que as condições históricas, econômicas e sociais revelam a desigualdade, sendo submetidas a fazer aquilo que não é do seu agrado. Nesse sentido a mulher se torna alvo de agressões e tem seu direito de liberdade interrompido, sendo incapaz de pedir ajuda.

Portanto, é imprescindível o combate a cultura do estupro. Para isso é necessário a criação de campanhas educacionais com a parceria do Ministério da Educação e Saúde, indicada para todas as idades, tendo como objetivo conscientizar sobre a igualdade de gêneros e a empatia, a fim de cultivar pensamentos em prol do desenvolvimento social. Paralelo a isso, cabe ao Ministério da Saúde junto ao Governo, disponibilizar acompanhamento psicológico às vítimas de assédio, seja na escola, universidade e no trabalho, para que essas sejam capazes de administrar os seus sentimentos e pensamentos. Dessa maneira semeando ações para que haja um mundo melhor.