É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 23/05/2021

Na Constituição brasileira de 1988, Artigo 5, parágrafo 1 está expresso que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Porém quando se coloca a ótica na realidade do dia a dia das brasileiras, sabe-se que a igualdade de gênero não é de fato verdade.

Em 2019, uma jovem chamada Mariana Ferreira ficou conhecida após expôr em suas redes sociais que havia sido drogada e sofrido abuso sexual em 2018 no Beach club de luxo Café de la musique, onde a mesma trabalhava como embaixadora. Com o desenvolvimento do caso, soube-se que Mari Ferrer estava sob efeito de drogas, câmeras capturaram que ela foi levada por um homem até um espaço vip e que suas roupas haviam de fato sangue e sêmen… Mari Ferrer uma jovem, virgem, estava trabalhando, não havia consumido alto índice de álcool e nem se auto drogado, o criminoso um homem rico e com grandes contatos. O resultado não é surpresa para ninguém. O caso não repercutiu na TV, imagens das câmeras não foram concedidas, comentários machistas e incoerentes foram proferidos à Mariana mesmo durante julgamento e claro, o criminoso segue livre.

Esse não é um caso pontual, é de conhecimento de todos que várias mulheres são estupradas, não recebem apoio da polícia, da sociedade, do judiciário ou qualquer um, e o criminoso sai ileso por várias vezes. Essa situação não é de forma alguma um problema da sociedade contemporânea, a própria história do Brasil já se inicia com portugueses estuprando os indígenas e essa herança é carregada até hoje pelos brasileiros. No livro “O conto da aia” é mostrado uma sociedade utópica, em que vários direitos são tirados das mulheres. Como ler, escrever, ter relações interpessoais, liberdade de expressão, cuidar de seus filhos ou estar com sua família e outros. Porém a autora também traz o assunto do estupro, mostrando que ele esteve presente em toda a história do mundo. Em um momento do livro, uma “aia” que sofreu estupro é colocada em uma roda com outras mulheres, onde conta sobre ocorrido e uma das “tias”, que eram chefes do lugar, ordena que as outras insultem e julguem a vítima fazendo com que no final a mesma acredite fielmente que de fato tudo que lhe aconteceu foi por sua permissão. O livro faz uma crítica fiel sobre como a vítima sofre pelo estupro consigo mesma, causando até problemas psicológicos, como a sociedade (as “tias”) joga todos os cidadãos (as outras aias) contra a própria vítima e faz a mesma acreditar que realmente é sua culpa.

Conclui-se que as mulheres não recebem os mesmos direitos que os homens e isso é visto de forma clara quando se trata de uma mulher que sofreu estupro. Que a sociedade cultiva uma cultura de estupro quando mesmo com todas as provas o criminoso não paga pelo que faz, causando o sentimento real de impunidade e facilidade em cometer esse delito e ainda quando permite que justificativas para diminuir e culpar a vítima sejam tratadas com normalidade, deixando com que vire algo comum e correto. Que esse problema não é atual e sim trazido por gerações, portanto exige grandes mudanças o mais cedo possível! É preciso que haja a conscientização do povo em primeiro lugar, que a escola, a família e o Estado andem de mão dadas com esse mesmo propósito quanto a educação dos cidadãos. É imprescindível que haja maior segurança para as mulheres e que a lei seja levada à sério. Que haja punição para aquele que comete o crime, aquele que não penaliza o criminoso, para aquele que ofende, comete calúnia e causa danos à integridade da vítima. E para finalizar que a vítima seja assistida com psicólogos, auxílio com remédios, tratamento para evitar a gravidez e toda a assistência médica, e claro advogados ou qualquer necessidade legal para o andamento do caso.