É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 15/07/2021

Simone de Beauvoir em sua vasta obra fundamentou as bases do movimento feminista durante o século XX e XXI em diversos países do mundo. Nesse contexto, a autora levanta a questão do combate à cultura do estupro e sua imprescindibilidade na atual conjuntura. Por um lado, o arcaico pensamento falocêntrico ainda permeia as relações sociais mesmo em países com elevados índices de acesso à informação. Aliado a isso, a cultura do estupro, não apenas cerceia liberdades individuais e coletivas, mas também ceifa vidas de mulheres no mundo todo.

Em primeiro momento, é importante destacar o pensamento da autora brasileira Clarice Lispector que em uma das suas últimas entrevistas disse que: “viver em um mundo de homens é um desafio diário”. Depreende-se, a partir da análise da autora, que o comportamento do que hoje se chama por   “masculinidade tóxica” é fator gerador das instabilidade das relações de gênero na sociedade. De fato, comportamentos abusivos que limitam às mulheres ao ambiente doméstico, as discriminam no ambiente laboral e valorizam um ideal supremacista e falocêntrico, são comuns entre os homens e reforçados pela mídia, pela igreja, pela “família tradicional” e até ambientes escolares e acadêmicos.

Contudo, é importante ressaltar que práticas como essas matam diariamente. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, a cada 17 horas no Brasil, uma mulher foi vítima de abuso. Desses, aproximadamente 60% foram abusos psicológicos e 40% físicos, o que remonta à cultura de estupro no país e a necessidade em combatê-la. Ademais, segundo a pesquisa supracitada, mais de 80% das mulheres entrevistas relatam importunações sexuais, nas quais, os homens, se validam de argumentos esdrúxulos, tais como: vestimenta que corroborava para um pseudo convite ao sexo, comportamento moral inadequado, ou ainda, o fato de estarem a noite em ambientes tidos como impróprios para “mulheres de bem”.

Portanto, é fundamental que o Estado haja para sanar a problemática apresentada. Para isso, cabe a Ministério da Educação, introduzir o debate sobre gênero e cultura do estupro nas escolas, nos níveis fundamental e médio. Menciona-se o fato da necessidade urgente de criação de um programa que prestigie a mulher e revalide a sua posição na sociedade e, por consequência, desconstrua o ideal machista e patriarcal contemporâneo. Outrossim, é importante que nos ambientes escolares haja atendimento psicológico e pedagóco com profissionais mulheres e especializadas nessas demandas. Além disso, é fundamental o aumento da divulgação de canais como o disk 180, que trata da violência doméstica, para isso é papel da mídia - televisão aberta e redes sociais -, a divulgação desses canais. Dessa forma, pode-de minimizar os impactos existentes e garantir a equidade feminina.